Djanira Silva 15 de abril de 2018

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Minhas lágrimas ficaram presas nas nuvens e, de repente, o arco iris abriu um caminho dos meus olhos para o céu. As borboletas sorriram e eu, nunca mais fui a mesma.
Tornei-me dona de uma curiosidade perigosa.
A mim dedico tudo quando fiz até hoje.
Aos que me amaram, pensaram que me amaram ou simplesmente me aceitaram, entrego a dor de uma alma nua, sem segredos. Faço isto em memória de mim, sem altar e sem velas, usando apenas o fogo da obstinação e da teimosia, forças que carrego e alimento para viver mesmo depois que te encantaste.
Poderias ter esperado para que eu pudesse falar, somente a ti, de arcoiris e borboletas, morcegos e pardais, girassóis e estrelas. Bem poderias ter ficado para escutar minhas histórias, andar comigo sobre o rio, jogar sobre as águas nossas sombras e colher a vida na emoção dos sentidos. Bem que poderias ter esperado.
Sempre que o eclipse da noite apaga a lua dos meus olhos eu te vejo aqui, bem aqui, onde nossos caminhos se partiram. Ah! Por que não esperaste? Por que me dividiste em duas metades tão diferentes?
Não me preparei para as tramas da existência. Vivo de improvisações.
De manhã, nas linhas e nos espaços, tento escrever um novo dia. Pontuo minhas dores com vírgulas, dois pontos travessões, algumas exclamações, muitas interrogações. Prorrogo a vida nas reticências. Entre parênteses deixo a saudade à espera do ponto final.DOS OLHAR PARA O CÉU

Minhas lágrimas ficaram presas nas nuvens e, de repente, o arco iris abriu um caminho dos meus olhos para o céu. As borboletas sorriram e eu, nunca mais fui a mesma.
Tornei-me dona de uma curiosidade perigosa.
A mim dedico tudo quando fiz até hoje.
Aos que me amaram, pensaram que me amaram ou simplesmente me aceitaram, entrego a dor de uma alma nua, sem segredos. Faço isto em memória de mim, sem altar e sem velas, usando apenas o fogo da obstinação e da teimosia, forças que carrego e alimento para viver mesmo depois que te encantaste.
Poderias ter esperado para que eu pudesse falar, somente a ti, de arcoiris e borboletas, morcegos e pardais, girassóis e estrelas. Bem poderias ter ficado para escutar minhas histórias, andar comigo sobre o rio, jogar sobre as águas nossas sombras e colher a vida na emoção dos sentidos. Bem que poderias ter esperado.
Sempre que o eclipse da noite apaga a lua dos meus olhos eu te vejo aqui, bem aqui, onde nossos caminhos se partiram. Ah! Por que não esperaste? Por que me dividiste em duas metades tão diferentes?
Não me preparei para as tramas da existência. Vivo de improvisações.
De manhã, nas linhas e nos espaços, tento escrever um novo dia. Pontuo minhas dores com vírgulas, dois pontos travessões, algumas exclamações, muitas interrogações. Prorrogo a vida nas reticências. Entre parênteses deixo a saudade à espera do ponto final.

Obs: A autora é poetisa, escritora contista, cronista, ensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Doido é quem tem Juízo (2012); Saudade presa (2014); O Sorriso da Borboleta (2018)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014



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