Dênis Athanázio 1 de fevereiro de 2018

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Acredito que quem sente menos inveja, mais valor acha dentro de si mesmo e na sua vida.

Semana passada fui visitar um amigo. Pessoa do tipo “gente boa”, honesta, do tipo fácil de se gostar. Ou talvez não? Eu o ouvi me contar que estava feliz, pois havia sido promovido na empresa que trabalha, mas que, por outro lado, estava triste, pois alguns colegas do seu setor estavam tratando-o de uma forma fria e estranha. Perguntei se alguma coisa diferente havia acontecido em seu trabalho e ele me respondeu: “Não sei, a única coisa que mudou é que fui promovido a um cargo melhor”.

Quase todos sabem que a competição, a injustiça e a desigualdade, frutos do nosso sistema econômico em que estamos inseridos, contribuem muito para a inveja dos companheiros de trabalho do meu amigo. Mas me pergunto até onde podemos culpar e jogar todos os nossos pecados capitais nas costas da sociedade.

Gosto da citação do escritor  Alexandre Robles “A alegria há de ser mais discreta que o sofrimento, pois não é este, mas aquele que suscita inveja. Só quem nos ama suporta nossa alegria”.

Cada vez mais vemos pessoas infelizes com a alegria do outro. A alegria alheia não me contagia, pelo contrário, me deprime. Há os que não suportam o progresso do outro, tramando coisas que até Deus duvida para de algum jeito, prejudicar o invejado. Existem também aqueles que temem em deixar explícito as qualidades de suas esposas, esposos, filhos, empregos, podendo causar inveja e mal estar nos outros. Psicanaliticamente falando, estamos ficando persecutórios.

Poder se alegrar com algum indivíduo simplesmente porque ele é um ser humano, isto é, um ser igual a você, é um grande passo para a maturidade. É claro que temos mais facilidade de ficar alegres com as conquistas e progressos de quem amamos, mas e das pessoas que não temos aquele contato mais próximo? Do padeiro da esquina, do porteiro do seu prédio, da vizinha, do empresário, do pedreiro?

Acredito que quem sente menos inveja, mais valor acha dentro de si mesmo e na sua vida. Se não começarmos a refletir e lutar contra essa inveja que destrói por dentro e por fora, chegará um tempo em que todos serão considerados nossos inimigos, nossos concorrentes, será cada um por si. Sobrará quase nada de alegria no mundo e nos relacionamentos. É um futuro cinza. Ultimamente, nos meus momentos de tristeza, tenho preferido me contagiar com as cores da alegria alheia, mesmo das pessoas que não conheço. Quem tem alegria dentro de si, talvez tenha mais facilidade de reconhecer a alegria do outro.

Obs:  O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.
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