elza fraga 1 de dezembro de 2017

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O que a alma quer da gente é a certeza do conforto dentro da casca emprestada pra viagem.

Este corpo, que as vezes nos estorva com os defeitos de fabricação imaginados, é empréstimo generoso e – acreditem – nos tiraram todas as medidas, fizemos as provas e os ajustes, e só aí o recebemos com a advertência de não abusar.
Respeitar nossos limites, tratar o invólucro com delicadeza, e principalmente gostar do que se vê no espelho.

Eu daqui, por mais que esbraveje contra alguma fugida do roteiro, uma ou outra topada inesperada, uma incapacitação momentânea, uma dor inesperada, que sou carne e carne gosta de doer, sou apaixonada por esta máquina maravilhosa que me coube direitinho.

E agradeço, apesar de tantas idas e vindas pras oficinas, de tantas trocas de peças e de tantos remendos na lataria, ter feito a travessia tão confortável nesta embalagem.

Sei da incapacidade de me prender nos dedos, de me abraçar ao tempo e rever esta parte do pacto que me fez sujeita as intempéries, que me envelhece e me tira o poder de escalar minhas montanhas, mas que me mostra, em cada marca nova achada nas manhãs, que mais uma lição foi aprendida e que sobrevivi a noite.

Atravessei mais um deserto com o cantil fechado na mão, a mesma mão que ainda prende, com força, o que ama e necessita.

Quando entregar esta matéria no término da jornada, sei que com prova não gabaritada, olharei com carinho pra tudo que fui e poderei, com verdade e gratidão, dizer;
eis-me aqui, não a melhor da classe, não a mais popular ou a mais amada – que isso nunca foi minha procura e meta, mas a que se esforçou pra manter sempre a chama do amor acesa. Amei muito mais que o coração aguentava, e se o arrebentei foi por excesso de uso.

A mim pouco importa os abandonos na estrada, os que desceram do meu barco, os que me negaram a mão, os que usaram meu amor mais que a minha capacidade de uso permitia, os que me despojaram do afeto com atitudes rudes, os que cuspiram palavras gritadas, os que me interpretaram mal ou leram errado meus escritos, os que me inventaram personagens;
porque talvez estes tenham sido os mais amados.

E só posso dizer, agora, ao verificar os danos e tentar não imortalizar a culpa:
Missão cumprida!

(Entendendo que a vida é uma bela viagem, em todas as suas etapas, mesmo na entrega do bilhete e da bagagem no guichê final.)

Obs: Imagem da net – blog do lucão



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