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(sou um ser humano, então nada humano é estranho para mim)

Todos somos máquinas. Nosso corpo é um emaranhado de fios, circuitos, eletricidade, correria de óleo em forma de sangue pra lubrificar tudo na medida certa.

Como toda máquina se gasta com o uso e o tempo, também nos gastamos. Como toda máquina tem alguma chance de conserto, corremos atrás dos nossos ajustes.
Vamos em busca da manutenção.
Escolhemos o técnico dentro da medida do que cabe no nosso bolso, pesquisamos muito, atrás da qualidade dos serviços.

Finalmente fechamos o acordo com o que nos parece o mais capacitado. E entregamos nossa máquina-corpo humano em mãos estranhas, clamando aos céus que tudo corra lindamente azul no nosso paraiso interior.

E só depois saberemos o quanto acertamos ou erramos na escolha do técnico.

E como nossa máquina tem várias áreas em funcionamento distinto, mas correlatos, muitas vezes um consertinho básico numa engrenagem estraga outra.

Acabamos no final dos consertos, dos ajustes, da manutenção, com todas as áreas comprometidas.
A física rateando nas curvas, pedindo mais óleo antes do tempo.
A mental precisando de terapia pra se adequar as novas condições físicas,
A psicológica perdendo a lógica e a lucidez, clamando por mais velocidade, quase queimando o HD.
E a espiritual sem forças pra buscar na fé a manutenção Superior.

Aí a gente pensa em como seria bom se já tivessem inventado a máquina do tempo.

Entraríamos nela e voltaríamos aos tempos em que um rifle, um cavalo, uma perseguição e uma bala acabava com os que destroem esperanças alheias em consertos colados no cuspe.
Não podemos, nos lembra a pequena parcela da mente que ainda funciona com pilhas vagabundas.

E que tal o tempo onde havia índios canibais? Assaríamos na fogueira quem promete e não cumpre.
Também não podemos, lembra a parcela espiritual que ainda insiste em crer que há motivo pra tudo sob este céu anil.

Bem, então que tal voltar ao tempo em que não existia medicina, em que se curava tudo com um cházinho, uma benzeção, muita fé e prece?
Aí o psicológico se recupera do trauma e grita: Eureka!
E a luz se faz.

Porque depois que a máquina começa a dar erro, não há quem dê jeito, vai só se fazendo gambiarras, emendando com fita crepe ou isolante, fingindo que está tudo bem.

Não culpemos o técnico, então.
Não busquemos culpados no exterior com lanterna na mão, busquemos dentro.
Culpemos a nós por entrarmos tão afoitos na fila da reencarnação e prometer que aguentaríamos tudo por esta chance de estar aqui, com nossa máquina que, no final das contas, nos provou que não era a Ferrari que a gente imaginava.

(elza fraga
consciente que alguns ajustes afinal não deram)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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