Aurélio Molina da Costa 15 de dezembro de 2017

O fenômeno Vida Universal é, ao mesmo tempo, sublime e misterioso, com um aparente início há 14 bilhões de anos naquilo que é conhecido como o “Big Bang”. Cientificamente, conhecemos cada vez mais, mas ainda muito pouco, sobre o chamado T + 1, isto é, a criação do Universo a partir do primeiro segundo. Sobre o T = 0, o início de tudo, a “Causa Primeira”, a “Causa Sem Causa”, nossa ignorância é total havendo apenas espaço para especulações filosóficas e religiosas. Do T + 1 até agora é absolutamente maravilhoso descobrir como aquela “Concentração de Energia” transformou-se, inclusive para criar nós, os humanos seres, neste pequeno planeta azul, nos confins da Via Láctea, uma das incontáveis galáxias que existem neste Cosmo. Realmente, este contexto de contínua mudança é digno de admiração e deslumbramento. E neste processo de acúmulos quantitativos que geram saltos qualitativos, que muitos chamam de evolução, o homo sapiens, muito recentemente, caminhou celeremente em direção ao “homo humanus”, com a perspectiva real de, em curto prazo, transformar-se em transumanos ou pós-humanos (seres humanos “melhorados” pela Ciência e Tecnologia) sendo que nosso atual estágio civilizatório foi obtido ao longo de uma penosa caminhada, com inúmeros erros e acertos, individuais e coletivos, que incluem horríveis guerras e genocídios. E tudo isso dentro de um contexto repleto de “catástrofes” planetárias com erupções de mega vulcões, impactos de corpos celestes, grandes terremotos, tsunamis e mudança climáticas, “tempestades” de radiação cósmica e solar, etc, com riscos reais de extinção de nossa espécie. Apesar de todos os percalços chegamos até 2017 coexistindo numa forma de sociedade que possui valores e princípios hegemônicos que tentam ajudar a todos seus concidadãos a se tornarem mais humanos e menos animais, aprendendo inclusive a saborear, com responsabilidade por tudo e por todos, a oportunidade de coexistir, com vida plena e em abundância, aqui em Gaia. Portanto, é mais do que chegada a hora de darmos um basta em alguns aspectos negativos de nossa convivência. É urgente que episódios como o que ceifou a vida de Maria Emília, Miguel Neto e Roseane Maria, e seu bebê, não mais se repitam. Ainda não podemos impedir muitas tragédias, mas situações como essa são evitáveis. Mais educação, mais conscientização, mais valorização do outro, são medidas que, sem dúvida, sempre ajudarão na prevenção. Mas também temos que endurecer, e muito, as leis sobre o trânsito, punindo inclusive os “coautores indiretos”. O caso em tela é paradigmático. É impossível, com o longo histórico do autor deste crime, que pais, parentes próximos e gestores dos órgãos responsáveis pela fiscalização de condutores automotores não tivessem noção que essa tragédia iria acontecer, cedo ou tarde. Conheço muitas pessoas que acreditam que existem indivíduos que, de tempos em tempos, “surgem” na história da humanidade e sacrificam suas vidas para nossa evolução. Se este foi o caso, temos que “ajudar” para que este drama não tenha sido em vão. Evitar tragédias semelhantes deve ser um compromisso de todos nós. Apelo a nossa bancada no Congresso Nacional que apresente e defenda, com apoio da sociedade pernambucana, sem delongas, um projeto de Lei, que poderia ser chamado de “Miguel e Marias” e se torne um marco na nossa convivência no trânsito. Faço votos que, como sociedade organizada, tenhamos a capacidade e a dignidade de honrar o “sacrifício” destas ex-companheiras/o de viagem existencial e a dor dos seus familiares e amigos/as.

Obs: O autor, Prof. Dr. Aurélio Molina, Ph.D pela University of Leeds (Inglaterra) é membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina, professor da UPE e membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina.

Publicado no jornal Diário de Pernambuco, página 1.2, em 09/12/2017

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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