Djanira Silva 1 de outubro de 2017

djaniras@globo.com
www.djaniragamboa.blogspot.com.br

Ontem caminhei por caminhos estranhos e vi minha alma refletida no abismo e na profundeza de uma dor estranha. Assim nos esperam as enganosas curvas dos caminhos. Sei, de mistérios é traçada a vida. Nos enganos das promessas, na insegurança e na incerteza, tudo nos é dado e tomado, com a leveza e a maciez dos enganos. Ali chorei, ali eu vi chorar. Mais uma vez, alguém se fora sem me dizer adeus levando dentro dos olhos a nossa infância esquecida.
Ao meu redor rostos deformados, pensamentos desviados, almas cobertas por véus a esconder medos e incertezas. Então chorei por mim. Pelas idas e partidas, pelo temor de me perder num para sempre.
Havia sol, havia chuva, chão molhado, passadas impressas que foram e voltaram para esquecer dentro da terra marcas das que não foram feitas. E ali se plantou o que jamais passaria novamente pelos abismos dos olhos.
Havia sol, havia chuva e… de repente, já não havia mais nada. Apenas sobre a terra as passadas do silêncio, e flores viçosas cumprindo, feito gente, um triste destino. Por que, meu Deus, por que terminar assim? E os enxovais da espera, e a alegria da chegada as bandeiras e bolas coloridas, o cheiro da alfazema? Ficaram onde?
Agora, ali, o coração da matéria acompanhava a trilha sonora de pás e enxadas orquestrando uma triste sinfonia. Sem adeus, sem até logo, sem chuva sem sol, sem vida, sem nada, sem sapatinhos de tricô, sem mantas de crochê sem lágrimas de mãe. Tudo fora escrito antes, muito antes numa momento de felicidade. Felicidade, invenção de mau gosto dos felizes.
Por que, meu Deus, por que findar assim?

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Obs: A autora é poetisa,  escritora contistacronistaensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Saudade presa (2014)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

  • Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
  • Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
  • Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
  • Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999 
  • Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
  • Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
  • Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014


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