Edilberto Sena 1 de outubro de 2017

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A vida passa, as coisas acontecem não por acaso. Com o atual sistema capitalista, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres ainda. Sobem os preços da carne, do peixe, da gasolina e outros gêneros de necessidade, sem que subam os salários e até os empregos desaparecem. Hoje são 14 milhões de desempregados no país. Por isso, aumentam os limpadores de para-brisa de carros, vendedores de picolé, vendedores de drogas e assaltos a celulares. O que continua surpreendendo é que a situação se agrava, os corruptos negociam suas bandalheiras e a sociedade não reage. Parece que a maioria da população acha normal que a justiça ponha no presídio jovens vendedores de papelotes de cocaína, mas deixe fora do presídio ladrões de dinheiro público, ou quando são condenados vão para locais reservados para ladrões universitários, ou militares. Para a maioria,  parece normal o governo retirar pessoas com deficiência física ou mental dos benefícios do INSS, mas o próprio governo não exige devolução de mais de um bilhão de reais de dívida da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, do Bradesco, entre outros grandes devedores, para com a Previdência Social. Esses e outros devem, não pagam e nada acontece com eles.

Tudo isso acontecendo e boa parte dos pobres vibrando pelo flamengo, botafogo, vasco e coríntias, nos estádios de futebol. Outros estão em Alter do chão vibrando pelo Sairé e os botos. Os sofridos mal alimentados e até sem emprego, inclusive sindicalizados, não decidem ir às ruas, pressionar as autoridades por justiça, empego, saúde e respeito ao meio ambiente. Digo maioria, porque só quando a maioria da população do país se rebelar as autoridades vão escutar os clamores.

Mas, a indignação popular começa a dar sinais. Na semana passada em Santarém, lideranças de movimentos sociais de 12 municípios do Oeste do Pará, se reuniram por dois dias e meio discutindo a grave situação que vivem as populações da região, violentadas por agrotóxicos, extração de madeira, mineradoras, projetos de portos graneleiros, projetos hidroelétricos no rio Cupari e no Tapajós. Diante dessa realidade e a incompetência de órgãos como IBAMA, ICMBIO, INCRA, decidiram armar uma estratégia de enfrentamento a essa invasão do território. Juntos e conscientes vão partir para o enfrentamento.

Outro sinal de que a paciência do povo está se esgotando acontece na região do rio Curuauna, onde está a hidroelétrica no município vizinho de Mojuí dos Campos. Ali, enquanto a Eletronorte construiu mais uma turbina usando mais água, rio acima 14 comunidades rurais, incluindo cerca de 1.500 famílias estão com falta de água limpa, pois o rio está secando. Além disso, apenas a comunidade de Vista Alegre do Moju tem energia elétrica nas casas, todas as outras estão no escuro. Mas a Eletronorte não dá a mínima para eles. Então, a paciência está esgotando. Lideranças das 14 comunidades estão preparando uma ação enérgica para serem escutadas pelas autoridades municipais e federais. O rio seca, a empesa acumula água na barragem e o povo passa privações. Dizem eles que chega de molecagem da Eletronorte e indiferença das autoridades municipais.

Já em Santarém, o prefeito vai empurrando goela abaixo da população a terceirização da gestão do hospital municipal. Não consulta a população, induz os dóceis vereadores a aprovarem a coisa e dane-se o povo se daqui a seis meses não der certo. A empresa certamente vai organizar bem o hospital, mas limitar a entrada de apenas 30 ou 40 pacientes por dia, quando chegarem mais dez ou quinze, terão que ficar na rua ou ir se hospedar na Câmara de vereadores, ou no prédio da prefeitura esperando vagas no hospital. Será que só quando isso acontecer, é que a sociedade civil vai fazer barulho?

Eis a questão, até quando os moradores de nossos municípios vão suportar calados e fingindo não ver os desmandos dos políticos e gestores públicos? O que você, ouvinte pensa sobre tudo isso? Qual é a sua opção?

Obs: O autor é membro da organização da Caravana 2016
 Coordenador da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém (PA) e membro do Movimento Tapajós Vivo.
Autor dos livros: Amazônia: o que será amanhã? (Vol I e II) e Uma revolução que ainda não aconteceu



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