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“Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão seu espírito”.

Assim começa uma “profecia” feita há mais de 200 anos por “Olhos De Fogo”, uma índia Cree.

E não podemos deixar de discordar. Vemos a cada dia o tão famoso progresso engolindo aquilo que é tão precioso, tomando para si vidas que não retornarão mais. É em nome desse progresso, que cada vez mais vemos nosso ar ser poluído, nossas matas desmatadas e nossas vidas serem reduzidas à vidas em latas de sardinha, produtos também de uma linha de produção.

Trabalhamos em nome de um progresso que parece nunca chegar, em nome de algo que toma forma no papel, mas que nos consome de forma aparentemente invisível.

É em nome do progresso, em nome de “levar desenvolvimento à região de Altamira (PA) e municípios vizinhos” que será construída a Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Não preciso ficar explicando como se constrói uma usina hidrelétrica né? Se alaga uma grande área desviando-se o curso de um rio, e essa água move turbinas que conseguem converter essa “força” em energia elétrica.

Eu sei que essa usina “trará melhorias para mais de 4.500 famílias da região que vivem em palafitas”. Mas eu fico aqui pensando, será que essas pessoas não estão felizes, do jeito que estão? Será que não seria uma melhoria mais proveitosa, não sei, uma casa para essas famílias. Será que a construção dessa usina não mais piora do que ajuda?

Por gerações essas famílias vivem ali, trabalham ali, moram ali. Não é a construção de uma usina de alta tecnologia que vai conseguir mudar.

Não preciso entrar no mérito de como isso influencia dentro da natureza, nas espécies que ali vivem, nas plantas que ali vivem.

Mas eu queria deixar bem claro aquilo que mais dói o coração. A população indígena que ali vive. Desde a colonização nós não temos sido justos com eles. É deles que vem muita bagagem do que somos hoje. Se você é brasileiro, deveria agradecer, e muito, aos nossos irmãos índios. Jogados de lá para cá, tratados como escravos, como cachorros velhos, como escória da sociedade, agora, novamente em nome do “progresso”, os tiramos de onde vivem, os tiramos novamente de sua terra, de sua cultura, daquilo que é mais sagrado para eles. E assim nós conseguimos magoar, matar aquilo que é nossa herança. Aquilo que é nossa base. Aquelas pessoas que são o nosso início.

A profecia de Olhos De Fogo termina assim: ” Quando esse dia chegar, os índios perderão seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência da sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão-se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco Íris”.

Nós simplesmente não podemos dar as costas para o nosso passado. Isso nega o nosso presente e inviabiliza o nosso futuro. Não podemos deixar que destruam aquilo que é tão precioso. Nossa mãe Terra, aquela que nos dá tudo aquilo que nós precisamos. Que nos dá a água, o alimento. Não podemos ferir desse jeito o coração de quem se doou uma vida inteira, uma geração inteira, para salvar o que temos de mais precioso.

Que desde os primórdios de sua existência, reconhece e protege a força da natureza, coisa que nós, seres humanos superiores, raça de suprema inteligência, ser pensante, não conseguimos entender ainda.

É sob essa Ordem que vamos continuar vivendo? E em nome desse Progresso que vamos continuar lutando?



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