elza fraga 15 de janeiro de 2017

elza a utopia

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Ao mudar de ano me dei conta de que, numa utopia do tamanho da minha cabeça fantasiosa, estou preparando um bote para vida nova.

Como uma cobra que se arma na sutileza do ataque, como um lobo em silêncio saindo da floresta e tocaiando a presa, como o puma descendo as montanhas e abocanhando a lebre na corrida derradeira.

Assim me espreito através da abertura do portal pessoal e intransferível rumo a um mundo novo.

Vou preparando o salto para a terra das possibilidades.

E ao adentrar esse universo de meias verdades e utopias inteiras recriarei a criatura que me habita.

Não mais esta de agora com horários e deveres, com regras e planos tolos, com incumbências e agenda restrita.

Renascerei libertada, dona de meu tempo, sem cartas marcadas no jogo, sem documentos, sem paradeiro, sem deveres fechados, sem muros na fronteira.

E aí não mais me caberei no peito de então, o coração atravessará pele e se mostrará inteiro, me guiará, me intuirá, me fará fazer besteiras novas e inauditas…

Alguns me odiarão por essa nova identidade bendita, e uns que não me amaram como merecia, e mereço, repensarão o sentimento e explodirão em paixão. E eu aceitarei, como se oferenda fosse, cada nova investida, e revestida da luz dos que se sabem inteiros, me doarei viva, prenda com laço de fita.

E não mais serei pertencente a uma casa, a uma casta, a um quintal, a uma rua, a um local, a um tempo cortado em segundos.

Serei do mundo, de todos os viajantes, de todas as estrelas, de todas as ruas que brilham no espaço, de todos os raios de luar, de todos os navegantes, de todos os navios, todo o mar que banha costas diferentes, e falarei não só meu idioma, mas a língua de toda a gente que me habitará em força pujante e motriz.

Correndo pra me transformar em universo, não mais escrevedora de versos, poesias, serei escrevedora do meu próprio roteiro, nunca mais vazia.

E nesse mundo novo, jã tão sonhadamente desenhado, não se contará o tempo por janeiros nunca mais.

Calendários serão aposentados, fronteiras serão desconhecidas, dias em números serão pra sempre descartados e atravessarei, linda e levemente estremecida, as galáxias em busca do fim.

Talvez nos braços de alguém [quem sabe?] que me entenda o medo, que saiba todos os meus segredos, que me proteja de mim.

Obs: Imagem enviada pela autora

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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