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Acho que com o passar do tempo e com tempo para curtir, valorizamos muito mais as nossas vivências. Estou perplexa, surpresa e feliz em ver a curtição de todos esses nossos amigos “são bentinos”,  agora somos um todo, sem nenhuma distinção, nem de sexo, nem de idade, nem de parentesco, só recordações. Como diz D. Maria do Carmo, esposa de Dr. Airton: em São Bento éramos felizes e não sabíamos.

Quando éramos crianças lá em São Bento, os jovens não nos davam a menor bola. É lógico, éramos divididos por faixa etária. Criança não se mete em conversa de gente grande.  Hoje estamos nivelados, só curtindo o que realmente vale, lembrar os bons momentos, curtir as fotos e papos sem fim. Cada um tem uma infinidade de assunto, tendo como pano de fundo o local aonde passamos a nossa infância e boa parte da adolescência. Não tem mais história quem nasceu lá, ou quem chegou  criancinha, maiorzinho, ou pré-adolescente, fomos atingidos pelos mesmos fatos, fatos aqueles, simples, corriqueiros, como as coisas boas da vida: pescar, tomar banho no rio Tapacurá, buscar jaca no Camocim, que na primavera ficava coberto  de amarelo e lilás, as cores do Páu D’Arco, lembram?  Jogar bola, os pic nics no dia da criança, as noites do mês de maio, com os seus respectivos  noiteiros, cada família se esmerava, parecia até que ia ter prêmio, não, era apenas o desejo de fazer o melhor, dar o melhor de si. O mês de maio na Fazenda, preparado por D. Maria do Carmo com tanto esmero, quem lembra? As enchentes, o  dia seguinte ensolarado, rio cheio, ficávamos ilhados, só curtindo aquele mundão de água. Nesse dia não tínhamos pão que vinha de Chã de Alegria, lá em casa,, o café da manhã  era cuscuz fumegante com manteiga, ovo frito, café com leite, uma delícia, estou sentindo o cheiro.

Ah, quem lembra de uma quadrilha junina organizada por papai, que  trouxe de Moreno um casal amigo: seu Maná e dona Sevy para ensaiar. Foi uma festa linda, inesquecível,  não  lembro  se foi no dia de São João. Sérgio e Quena, irmã de Domingos, foram os noivos, o padre foi José Elias, papai o escrivão, vestido a caráter, cabelo partido no meio, cheio de brilhantina, paletó e calça, de listras,  feitos por D. Laurinha, óculos na ponta do nariz, mamãe também muito bem vestida,  blaizer e saia, feitos a capricho para a ocasião. A maior parte das famílias participou.  Carro de bois enfeitado, para levar  os noivos da Escolinha, aonde o casamento foi realizado, para o famoso Clube X. Que pena não termos acesso a filmagem naquela época, não sei se foi fotogrado.

Os aniversários nem se fala, temos  uma foto em um aniversário de Laura, ela como sempre arrumadíssima, com um vestido lindo, bordado de vagonite, por D. Erundina,   estamos quase todas as crianças de São Bento: as meninas do Sr. Biu Ferreira, Mariinha, Zuleide, Odete, Marta, as meninas do Sr. Davi: Naldinha e Terezinha, Rosinha e Lulu, Delinha, Siqueira, Paulo, Cristina, Cristiano era bebê, Guga, Marceliano, Marne, Socorrinho, Betânia, Maria Augusta, Heber, eu e Sonia, com vestidos bordados, de gola azul marinho, ambas iguais, como era usual naquele tempo,  Sílvio de gravata, quase maior do que ele, ou usava aquela gravata ou não ia para a festa, Sandra tinha meses,  estava sentada no colo de Lúcia, filha de Maria Tereza que morava no Toró e  Mariinha, nossa prima, filha de tio Lalá, irmão de papai. Todos muito arrumados, é claro, com roupa de festa.   Cada tema citado tem história que dá para escrever um livro. Pois os fatos atingem as pessoas das mais variadas formas.

Não posso deixar de mencionar a festa no pátio da Igreja na noite de Natal. Quem não lembra do carrossel, o homem que o  empurrava  e dizia: vais correr,  os botes, impulsionados por uma corda,  a roleta, a pescaria, as barraquinhas que vendiam comida. A missa do Galo, a meia noite. Tínhamos que dormir depois do almoço para poder assistir a missa. Mas quem de nós não cochilou tanto que  quase caiu do banco da Igreja?

Fico querendo descobrir qual é a razão psico/antropológica deste prazer, desta alegria. O fato é que apesar de efêmeros eles nos marcaram indelevelmente,  para sempre.

Chego a conclusão que a vida seja  feita de prazeres, pequenos ou grandes não importa, eles de verdade são a força motriz que dão sentido a nossa vida e nos preparam para as intempéries.

Todos os que foram nomeados e que já partiram, estão vivíssimos em nossas mentes e em nossos corações. Parece até que quando falamos de lá tudo e todos tomam vida e cor. Acho que agora descobri, é essa energia que nos contagia e irmana.(Olinda, 16/11/2016)

Obs: Lila Costa  (Suely Telma Vieira Costa)   é Membro da Academia de Letras de Escada – AELE e da Academia de Letras e Artes  de Moreno – AMLA.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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