foto Aurelio Molina entrelaços

Sem dúvida, a chegada da sonda espacial Juno ao planeta Júpiter, depois de cinco anos de viagem, é mais um grande feito da Ciência e uma nova conquista da Humanidade. Mas quanto à religião? Será esta façanha uma ameaça a mais às grandes tradições religiosas, como foram (no séc. XVII) as teses de Galileu Galilei? Para os que acreditam na “letra que mata e não no espírito que vivifica” não tenho dúvida que a resposta é sim. Para os que têm uma crença infantilizada e interpretam as alegorias dos vários escritos sagrados (e suas narrativas) no sentido literal, também acredito que a resposta deveria ser afirmativa. Mas para os que procuram a iluminação nos diferentes e ecumênicos caminhos espirituais os avanços da ciência são instrumentos de deleite e regozijo na conquista da tão difícil e almejada sabedoria e do imprescindível “religare”. Nos dias atuais a produção do conhecimento científico tornou-se exponencial. Paradigmas são quebrados sistematicamente e a todo o tempo. Às vezes, o que é uma verdade científica provisória, numa bela noite estrelada, ao nascer do sol pode tornar-se um conceito ultrapassado. Assim é a Ciência. Não é “ser” verdade, mas “estar” verdade. E isto, para os grandes místicos espiritualistas de todas as religiões, não representa nenhuma dificuldade, pois assim como todos os que lidam com a Ciência (quer utilizando, compartilhando ou produzindo conhecimento) eles sabem que o Todo, independente do apelido, é a “Argamassa” inefável da realidade. E a revelação (através da Ciência) de suas pequenas facetas e detalhes, tanto as macro quanto as micro, tanto as mensuráveis quanto as especulativas, tanto as visíveis quanto as não aparentes, apenas descortina aspectos de sua deslumbrante “vestimenta” e não representa nenhum óbice à sua crença no Eterno. A cada nova descoberta científica eles percebem que a Vida Universal está presente em todas as formas de vida e elas, em todas as suas feições e manifestações, estão interconectadas neste fascinante Universo. E a partir de agora, graças ao gênio humano, poderemos obter mais algumas respostas sobre o nosso sistema planetário que gerarão centenas de novos maravilhosos questionamentos, dinâmica essa que caracteriza a curva de aprendizado coletivo da própria Ciência, mecanismo essencial para nos ajudar a responder as fundamentais questões existenciais: Quem somos? De onde viemos? Para aonde vamos? E qual o nosso papel neste “grão de areia” (conhecido como Planeta Terra), no beiral da linda Via Láctea, nos confins deste incomensurável e arrebatador Universo? Brindemos, então, a todos os envolvidos nesta façanha de entender melhor os mistérios do planeta gigante de nosso sistema solar e que por isso recebe o nome romano do “pai dos deuses e dos homens”. Glória a aqueles que tiveram a chance de se conectar e acreditar na fonte inspiradora que os levou ao sucesso deste empreendimento espacial. Sem distinção e exceção. Inclusive todos os que produziram conhecimentos anteriores, pois como dizia Newton, só conseguimos ver mais longe hoje porque subimos no ombro de muitos gigantes que por aqui passaram. Rejubilemo-nos, pois, com mais este passo da longa caminhada chamada “evolução humana”.

Publicado no jornal Diário de Pernambuco em 08/07/2016, página A2

Obs: O autor, Prof. Dr. Aurélio Molina, Ph.D pela University of Leeds (Inglaterra) é membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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