elza fraga 1 de dezembro de 2016

elza certeza da partida

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Se aqui estou de passagem
e se ao partir deixo tudo
o que colhi de bagagem
nem hei de atravessar
um centavo do caminho
por que insisto em ajuntar
sonhos torpes pelo mundo
em taças de fino vinho?

E por que o vagabundo
do coração no meu peito
não toma tenência e jeito?
Por que então sofro tanto
choro e me descabelo
se o alvo dos meus anelos
nem sabe se vou ficar
até a noite surgir?
Até o dia voltar?

E se agindo assim
juntando trapos e dias
juntando pão e vasilhas
juntando mãos tão vazias
tentando prender um pouco
de vida na concha dos dedos
tentando juntar meus medos
pra depositar aos pés
desse amor que no segredo
nublou dias infiéis,

eu só consigo notar
que foi como um furacão
que me tornou em verão
deixando devastação
incêndio, fogo, degredo.
E se sei que só consigo
perder-me pelas estradas
por que ousada ainda assim
insisto na empreitada?

Melhor seria deitar.
Talvez morrer, descansar,
se é que morte é descanso?

Ou lutar contra a corrente
que teima em me afogar
em me tirar do lugar,
me jogar em cada canto
onde só mesmo o seu encanto
insiste em me trazer
lembranças doces e infindas
do tempo em que eu era
menina ainda… e apesar?

Não sei mais me apartar
do seu córrego que desce
a serra verde, encantada
e por mais que o tempo mude
as estações e as estradas
eu volto rebelde e louca
pro seu colo e seu entorno
e me entorno no seu olho
e me perco de danada

e faço ouvido de mouca
para as placas espalhadas
que há perigo iminente
nas curvas acentuadas
do seu corpo inconsequente
que fere mais que acidente
que mata mais que trombada.

Vou morrer só por querer
me superar, prender você,
escorregadio e indolente,
nos devaneios que levo
no silêncio da madrugada
onde me perco demente
e me transformo em semente

de fruto de quase nada!

Obs: Imagem enviada pela autora.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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