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O problema dos refugiados internacionais é de difícil solução. Porém, é possível melhorar a situação com a ajuda dos governos e da sociedade civil organizada. Para tanto, é importante conhecer as causas das migrações, superar preconceitos e autossuficiências.

As migrações forçadas são um fenômeno muito frequente em nossos dias. Elas se constituem em dramas humanos em trânsito. De diferentes lugares do mundo e pelos mais diversos motivos, muitas pessoas, famílias e grupos deslocam-se para outras regiões e países em busca de sobrevivência, paz, melhores condições de trabalho e de vida, dignidade, enfim, se vão ao encalço de alguma esperança que possa lhes valer. Porém, na maioria das vezes a situação só se agrava.

Travessias
Se a migração do campo para a cidade, de uma cidade ou região para outra do país já configura um desassossego, essa realidade se torna ainda mais complexa e difícil quando se trata de mudança de um país ou continente para outro, em razão de ter se tornado impraticável permanecer no local de origem. Entre as causas que vêm promovendo o deslocamento internacional de populações estão conflitos de toda ordem, guerras civis, regimes ditatoriais, desemprego, miséria, doenças, eventos “naturais” como terremotos, tsunamis, secas, enchentes etc.
As causas dessas migrações são dramáticas e as travessias em busca de um “porto” mais seguro poderão continuar a sê-lo. Ocorrências nesse sentido não faltam. Basta lembrar, por exemplo, o afundamento de um barco próximo à ilha italiana de Lampedusa, em outubro de 2013, onde morreram mais de 300 refugiados africanos. Dias após, outros dois barcos submergiram também com refugiados que tentavam chegar à Europa. De acordo com Kjeld Jakobsen, consultor de Relações Internacionais (Revista Teoria e Debate, de 17/10/2013), nos últimos 12 anos já morreram 6.450 pessoas ao tentar atravessar o Mediterrâneo entre o norte da África e o sul da Itália, fugidos de múltiplos tipos de ameaças. Além de afundamento de navios e barcos, no percurso, os refugiados podem sucumbir por doenças, fome e ataque de piratas.
Segundo o relatório de 2013 do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), até o ano passado cerca de 45,2 milhões de pessoas no mundo deixaram suas casas por causa de desastres naturais, conflitos e violação de direitos humanos. Desse total, 28,8 milhões migraram no interior do próprio país; 15,4 milhões refugiaram-se no exterior, sendo que cerca de 900 mil pediram asilo em outros países. “Os conflitos atuais que provocaram o maior número de deslocamentos, como os 2,5 milhões de afegãos, os 750 mil iraquianos, os 500 mil sírios, entre outros, têm o “dedo” das grandes potências: EUA, Inglaterra, França, entre outros. Ironicamente, porém, 80% dos fugitivos das guerras buscam abrigo em países em desenvolvimento, geralmente pobres como os de onde vêm” (Kjeld Jakobsen – Revista Teoria e Debate, 17/10/2013).

Apoio e solidariedade
Nos últimos anos, o Brasil tem se tornado alvo de um crescente número de imigrantes clandestinos, ilegais e refugiados. Muitos advêm da Bolívia, Paraguai, Peru, Equador, República Dominicana, Haiti, Bangladesh, Senegal, Nigéria, Gana e outros. Inversamente, também se registra um considerável contingente de brasileiros que migra para outros países e continentes em busca de um futuro melhor, o que nem sempre se concretiza.
Um refugiado é um “cidadão” vulnerável em tempo integral. Está sempre na iminência de ser desprezado, hostilizado, visto como um intruso ou uma ameaça, detido ou deportado. Torna-se uma presa fácil da exploração sexual e de diversos tipos de trabalho precário, degradante e análogos à escravidão. Não obstante sua condição de marginalizado e excluído, o migrante acaba por alimentar o sistema capitalista que assenta sua base sobre o lucro a qualquer custo.
Além do que cabe ao Estado por meio de suas políticas, é fundamental e indispensável a ação voluntária por parte da sociedade em geral, das organizações sociais e comunitárias, das igrejas etc. O apoio e a solidariedade não dependem de idade nem de lugar; não exigem visto de etnia nem de nacionalidade; não têm hora nem preço. Tem, isso sim, um grande valor capaz de garantir ao menos um pouco de sossego, dignidade e esperança a quem a vida se tornou um pesadelo!(24.10.2014)
Publicado em Mundo Jovem

Obs: O autor é Doutor em Sociologia, pós-doutor em Educação e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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