foto Aurelio Molina entrelaços

A quem interessa o clima de radicalismo, denuncismo, mentira, difamação, emoção atávica e intolerância com a opinião discordante, instalado em todos os setores, segmentos e famílias da sociedade brasileira desde a campanha de eleição presidencial de 2014? À jovem democracia brasileira e ao processo de construção de uma nação justa, fraterna e soberana é que não. A cada dia me convenço que é correta a ideia que está na base da frase atribuída a Winston Churchil: “a democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”. Apesar de todos os senões, a Democracia Representativa associada à independência dos Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo), sob o controle social (e vigilância) de todos nós e tendo como objetivo o bem comum, é a melhor forma de governo republicano que podemos ter, pois a sociedade humana e seus elementos básicos (isto é, todos nós) é “complicada”. Seis décadas de vivências, quarenta de prática médica e vida acadêmica e muita leitura me convenceram que qualquer “bicho homem/mulher” ou “grupo humano” é capaz das coisas mais sublimes e também das mais perversas e inimagináveis, dependendo do contexto e das ”condições de temperatura e pressão”. Sua imperfeição é a regra e o Caminho da Iluminação é longo e difícil de ser percorrido. Ele ainda está em evolução e a melhora do gênero humano talvez demore milênios. Para cada exemplo de “bom” governo autoritário que possa ser citado podemos elencar dezenas de outros responsáveis por tragédias históricas e humanitárias. Todos nós conhecemos a máxima “se você quiser realmente conhecer uma pessoa (ou um grupo), dê poder a ela”. Não podemos confiar nossa liberdade a ninguém, sob qualquer argumento/discurso/teoria ou carta de boas intenções, lembrando que numa guerra (como se transformou a campanha eleitoral) a verdade é a primeira a “morrer”. O risco é muito alto e não podemos dar “chance ao azar” de entrar num período obscurantista. As instituições brasileiras estão funcionando e cumprindo seu papel. Os erros e os crimes estão sendo denunciados, apurados, julgados e punidos. Portanto, urge que todos os homens e mulheres de bem somem esforços para construir pontes, desarmar espíritos e resgatar a paz social, onde o respeito ao dialógico/contraditório seja paradigmático. Podemos, e devemos sim, lutar para que a corrupção (através de emenda popular) se torne crime hediondo punindo não só os corruptos, mas também os corruptores, através de campanhas cívicas usando as tecnologias de informação e comunicação. Já deu certo com o “Ficha Limpa” e tem tudo para dar certo de novo. Mas nada justifica a quebra da ordem democrática. Os gregos (que são considerados os pais da democracia) já alertavam para não nos iludirmos com os belos cantos das sereias. São poderosos, encantam, mas o naufrágio é certo. Nossa democracia está em risco e, não sejamos ingênuos, provocações e armações maquiavélicas é que não faltarão. Nossa tarefa mais importante, nestes tempos que se acercam, é defendê-la e aperfeiçoá-la e, nunca, contribuir para destruí-la. E que tenha vida longa o Estado Democrático de Direito e as Liberdades Democráticas!

Obs: O autor, Prof. Dr. Aurélio Molina, Ph.D pela University of Leeds (Inglaterra) é membro das Academias Pernambucanas de Ciência e de Medicina.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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