elza fraga 1 de outubro de 2015

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Da série histórias adaptadas a realidade atual.

Era uma vez uma princesa encantada que vivia a beijar os sapos do brejo.
Não escolhia, achava, era sapo, tascava um beijo e esperava, esperava…
Como sapos são sapos e sempre serão, e esta história de virar principe é mentira
das histórias da infância, ela ficou marcando passo e perdendo tempo à toa.

Até que um dia se aborreceu, caiu a ficha, pegou um sapo e levou pra casa.
Guardou bem guardadinho na banheira e reservou.
Desceu as escadarias do palácio, essa história é do tempo que palácios existiam,
foi pra saleta de costura, pegou uma linha vermelha – cor da paixão, uma agulha bem grossa, uma tirinha de papel, um lápis, sentou a mesa, escreveu o nome do lacaio mais bonito do rei, seu pai. Subiu as escadarias novamente. Aí a coitada já estava arfante! Era uma princesa desacostumada de exercícios físicos. Não fazia nem Pilates.

Pegou o sapo pelos colarinhos, era um sapo de vestimenta nobre, um verdadeiro cavalheiro nos trajes, abriu a boca do bicho, jogou a tirinha de papel com o nome do escolhido dentro da goela do pobre. E, sem dó e nem piedade, costurou a boca do sapo para que ele não contasse o seu segredo e nem mostrasse a tirinha pra ninguém.
Toda a corte daqui destas bandas sabe o quanto os sapos são fofoqueiros e falastrões.
Saiu, pé ante pé, sem fazer barulho, e jogou o sapo no brejo novamente. Virou e nem olhou pra tras. Retornou ao palácio e a sua vidinha triste de princesa sem namorado.

Agora ela possuia uma esperança. Quem sabe o feitiço, passado de rainha a princesa por longos séculos, não funcionasse?

Quem sabe o lacaio, formoso, ombros largos, apetitoso aos olhos de todas as moças casadouras do reino, não se apaixonasse por ela?

Não era nenhum principe, verdade, mas pra quem estava quase que fadada a casar com um sapo, qualquer melhora era lucro grande.

Parece que depois disso a coitada ensandeceu de vez.

Uns dizem que foi rebaixada de princesa a bruxa oficial do reino, perdeu os dentes, ganhou verrugas e uma vassoura última geração, com um motor de fazer inveja a fórmula um.

Outros dizem que, como o lacaio não se mancou e continuou ignorando solenemente a coitada, a mesma mandou que lhe decepassem a cabeça sem anestesia nem nada.

Há ainda uma corrente que diz que a pobre ficou solteirona e começou a se meter na vida de todo o mundo ao redor. Falava da vida alheia que era uma beleza. Cascudava sobrinhos, implicava com todos os sapos do reino, e vivia a vociferar contra tudo e todos.

Mas a verdade, a verdade mesmo, verdadeira, é que ela desistiu de ser princesa, fugiu do reino encantado, veio morar em Copacabana e, todas as noites é vista no calçadão com a sua bolsinha amarela e sua mini saia, e escolhe o príncipe que bem entender pra lhe contar histórias pela noite a dentro.

Depois que mudou de vida descobriu que a gente pode ser feliz pra sempre, é só mudar o rumo da história.

E quem quiser que  conte outra…

 

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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