elza fraga 15 de agosto de 2015

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Tanta vaidade entre nós. Tanto arrogância sujando nossas almas.
Tantos se julgando superiores aos companheiros do caminho.
Tantos achando que amam, por que é interessante amar alguém com visibilidade, espaço, situação financeira ou “pedigree”.
Tantos perdidos na estrada, orgulhosos do que não são, atropelando quem está no caminho, ou ignorando, que é bem mais doído.
Tantos abandonando os que não lhes presta mais por doença, idade, prazo de validade perto do vencimento.
Tantos buscando ajuda e recusando a orientação porque confundem com conselho ou manobra.
Tantos chorando por besteiras, desamando por puro egoísmo, afastando pessoas por maldade porque as acham indignas de participar do seu círculo, vendo as imperfeições alheias sentados sobre o próprio rabo.

Achando o capim do vizinho sempre mais verdinho.
A roseira alheia com flores mais viçosas.
A lua brilhando mais sobre outras cabeças.
E se riem em público é o riso frio dos que não mostram a alma por receio de se desvendar.
Ah, como prefiro o exuberante no conversar.
O espalhado no sentimento.
O de risada larga, braços abertos para abraços quentinhos de conforto.
O que se sabe igual a todos, com imperfeições e qualidades, mas procura só perceber o lado Luz dos outros.
Ignora o que o outro ainda não aprendeu, pois sabe que todos caminham pra sabedoria plena, e aquele que não sabe hoje, aprenderá com a vida. Não foca nas falhas que vislumbrar, mas valoriza os acertos.
O que esquece o passado no passado, lembra alguns momentos difíceis nas horas que precisa relembrar lições, ou os bons nas horas da saudade, pra elevar o pensamento ao Criador e dizer, do fundo do espírito, sou grato!

O que agradece pelos amigos que ainda estão por perto, e pelos que partiram, entendendo que só se fica enquanto a rota é necessária, o tempo preciso e justo, nem um segundo mais que o decidido por um Poder Maior.
O que valoriza quem lhe deu a chance de estar neste mundo, enquanto tantos se encontram nas filas reencarnatórias em súplicas por um espírito caridoso que os aceite e conceba.
E compreende o quanto vale esta oportunidade de aprendizado na matéria.
O que abre o coração a todos por igual, não eleva uns e rebaixa outros , fazendo gangorra da vida, pois vê que esta é o bem mais precioso do encarnado, e quanto mais se fizer elo da corrente, mas vai multiplicar suas chances de sair deste mundo com a consciência tranquila dos que tentaram seguir as leis de irmandade e amor incondicional.
O que conseguiu entender que por aqui não existe linha divisória, fomos nós, ignorantes seres humanos, que inventamos fronteiras, valores e posições sociais.
E, envergonhada, me reconheço na turba de aflitos em busca do caminho.

O que sabe a que veio, entende que tem uma missão a ser realizada, este já andou meio caminho.
Só quem anda a outra metade é o que descobre que missão é esta e a cumpre até o fim.
Todos nós temos ciência que o número dos que andaram a trilha quase inteira é pequetito.
E quando empurramos os que cruzam nossa trilha para o lado, com comentários, abandonos, descrença no que eles podem, covardia, cotoveladas na pressa de estar na linha de chegada, estamos empurrando, junto, nossa alma e nossa chance de subir degraus.

Nunca me retirei da lista dos que erram todos os dias, mas me vigio e tento colocar as imperfeições no tabuleiro das características pessoais e abafar até matar por asfixia, uma a uma.
Enquanto se está na carne temos tempo, talvez curto, por isso corro o mais que posso.
Mas sei que é vetado buscar o que foge da gente, o que agride com maledicência, calúnia ou gritos, o que não quer aproximação.
Como também sei impossível desculpar o que não quer ser desculpado por orgulho, mesmo que sejamos nós, ou não, os devedores do pedido de desculpas.

Neste tempo passado aqui, neste mundinho azul, do pouco que aprendi, me dói mais estes ensinamentos:
Somos todos tortos, imperfeitos, vaidosos, solidários só com quem a gente acha merecedor e irresponsáveis quando se trata de preservação de qualquer tipo de vida no planeta.
Canibais, comemos nossos irmãos animais, quando a Terra nos fornece o alimento do seu seio, como a mãe generosa dá o peito ao filho que sente fome.
Arrogantes, nos julgamos mais inteligentes, mais brilhantes, mais merecedores. Que o mundo nos tire o chapéu ou nos bata continência, afinal estamos no topo da cadeia alimentar.
E aí me pergunto… Até quando?
Giramos em torno dos nossos próprios umbigos, somos o centro do nosso universo inventado. Forjamos cartão de visitas com o desenho do que gostaríamos de ser.

Aprendi também o mais importante, e que serve de conforto nas horas insones:
Quando cada um de nós usar o tempo para desfazer estes equívocos, se sentir parte de um todo, e não um todo a parte, aí sim, o planeta engrena e muda a rota. Vai de encontro a Luz.

Daqui do meu cantinho peço ao Senhor que possa resgatar o meu tanto desta consciência perdida.
Difícil tarefa, caio e levanto quanto for preciso na tentativa, mas decidi, não desisto, mesmo que não consiga ainda desta vez.
Carregarei comigo para além do Portal Mágico a certeza de ter tentado, mesmo com todos os contras da tarefa.

E você? Desiste ou luta?

 

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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