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Que os tempos mudaram ninguém contesta, é evidente, mas algo que me custa a aceitar é,  como os encontros ficaram  difíceis de acontecer.

Com todos os recursos que a tecnologia nos oferece, esses encontros poderiam ter sido  facilitados, ledo engano, tudo ficou muito complicado, mais difícil. Atribuo a perda de um bem muito precioso, a  simplicidade.  Não tínhamos telefone fixos, celulares, tablets,   e muito menos  os  serviços de entrega em domicílio  “delivery” e nem  os self-services, em dois minutos conseguimos servir uma ceia regional, providenciar um lanche gostoso. É claro que o objetivo não é  comer, é conversar, se ver, se curtir e muito menos causar constrangimento.  Chegávamos sem hora marcada, era uma festa, uma alegria e tome conversa. Sim,depois íamos para a mesa, não podíamos pular esta parte, pois complementa os alegres encontros.

Hoje, quando chegamos sem avisar pedimos desculpas como se estivéssemos cometendo um pecado, uma invasão de privacidade.  Às vezes estamos passando por perto e resolvemos entrar, fazer uma visitinha, atualizar os assuntos, simplesmente matar a saudade.

A simplicidade foi jogada de lado, perdeu o encanto. Será que ainda temos como resgatá-la?  Talvez quem sabe, através das antigas amizades, aquelas em que somos quase parentes.

Será que estamos ocupados demais?  Ou a ocupação é a desculpa para não darmos mais importância ao que em outros momentos ,em outros tempos tinha   outro peso?  Contudo,se houver necessidade, aí a coisa muda, se  encontra tempo, as distâncias diminuem, tudo fica facilitado, porque surgiu um elemento novo: a necessidade, o interesse.

Outro dia tomei conhecimento de um grupo de amigos, solteiros,  casados, agora algumas, hoje,  viúvas,  cujo título  achei bastante sugestivo:  mania de se encontrar. Conheço algumas pessoas que fazem parte deste grupo, das quais quero muito bem. Nos tempos atuais algumas manias precisam ser inseridas ao cotidiano, até para tornar a vida mais leve, mais suave e com mais sentido, pois sempre que partilhamos, nos enriquecemos e não estamos sós.

A riqueza do ter tem atrapalhado a do ser. Existe uma competição, uns querem mostrar aos outros o que adquiriram ao longo da caminhada. Muitas vezes amealharam  muitos bens materiais e se esqueceram de conservar os bens  interiores que são os verdadeiramente valorosos, o ladrão não rouba, nem a traça rói.
Junho/2015.

Obs: Suely Telma Vieira Costa ( Lila Costa)   é Membro da Academia  Escadense de Letras – AELE e da Academia Morenense de Letras e Artes – AMLA.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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