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Quando as águas do Oceano Pacífico se aquecem temos o fenômeno do El Niño e o mundo cai sobre o Nordeste . E se o Governo não acudir morre tudo que é de “bicho de fôlego’. Aparecendo os técnico para dizer besteiras mas não explicam que em Pernambuco são dois os regimes de chuvas: no Sertão ocorrem de novembro até maio e no Agreste e Mata de maio a agosto. Já que as chuvas vêm do Oceano Atlântico, por isso é que o “agresteiro” costuma dizer que depois do trovão da praia não passam mais de dois dias para chegada de nossas chuvas.

Deixando os técnicos de lado, vamos aos nossos homens do campo que fazem suas previsões baseadas em observações centenárias:
– As barras do Natal e Ano Novo foram favoráveis.
– No dia 2 de fevereiro (*) trovejou para os lados do Sertão (* Dia da Anunciação e Iemanjá ).
– A caranguejeira (*) já deu o seu passeio e choveu no dia seguinte. (* A caranguejeira é o único bicho que não mente)
– A barriguda floresce e confirma o bom inverno segurando os frutos.
– O Mandacaru também floriu por duas vezes e confirmou chovendo.

NOTA: Um nordestino para elogiar Lula , deu de presente uma muda de Mandacaru de 6 metros e declarava que o símbolo do nosso conterrâneo. Uma muda de 6 metros não é nada de extraordinário e o Mandacaru apesar de resistir as secas e possuir uma flor muito bonita, não é nada elogiável no Nordeste onde é tratado como uma ” planta que não da sombra nem encosto”. Prefiro o Juazeiro e a Quixaba que permanecem verdes durante a seca tem uma sombra saudável e dão frutos até palatáveis. É certo que tem espinhos mais isso não é relevante.

As histórias sobre experiências com chuvas são muitas:
-Lampião mandou sua tropa sair do leito do Rio Ipanema em Águas Belas, ao notar que a cambambá , tinha levado os filhos para as margem, pois era o melhor sinal que vinha cheia. Esse fato me foi contado por Audálio Tenório , que conviveu com o Capitão como amigo e inimigo.
-Dois grandes agricultores de Garanhuns: Elias de Barros e Artur Ataíde, seguiam a risca as provisões dos matutos.

Mas tem fatos que passam para o anedotário como o do tratador do gado de Dr. Ismar Amorim que ao verificar que seu patrão estava escolhendo um local parai instalar um pluviômetro, indicou a biqueira do cocheira pois era o local que corria mais água da chuva.
No Distrito de São Pedro o Filósofo e conhecedor das Ciências Exata , Pedro Monte entre uma lapada de aguardente e outra fazia previsões baseadas nos “Planetas” que segundo ele eram cinco: Mercuri. Mercuri, Mercurial , Resplandecente e Thompson.
Pedro Monte ao saber que meu tio José Ferreira tinha tomado banho no açude que a população se abastecia , rogou a seguinte praga:
“Tomara que dê uma seca de lascar Bom Nome , que eu quero ver onde o gado dele vai beber.”

NOTA: O Bom Nome é uma arvore cuja madeira é toda entranhada e até o machado não consegue fazer lascas.
Tenho uma relação de mais de 50 previsões matutas que parte já foram publicadas no Globo Rural e Jornais do Recife. Fui surpreendida quando uma reporte do Diário de Pernambuco transcreveu uma relação das minhas anotações dizendo que era do pesquisador Souto Maior,  achei até muito bom pois passei a ser parceiro do grande folclorista autor dos Dicionário da Cachaça, Comes e Bebes do Nordeste e Dicionário do Palavrão, entre outros.

Obs: Autora do livro Retalhos do Cotidiano.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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