Emanuela Cristo  Quaresma

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Parte V – “Este é meu filho amado” (MC 9, 7)

 Situando-nos

Em nossa caminhada pascal, celebramos o segundo domingo da Quaresma, o Domingo da Transfiguração do Senhor. Mudamos do deserto para o Tabor, da tentação para a glória. Com Jesus e os seus três discípulos, subimos a montanha, para fazermos a experiência da intimidade, anteciparmos a visão de sua glória e recebermos o mandato de escutar a sua palavra. Vivemos, neste domingo, o mistério da vida que passa pela morte.

Escutando o evangelho da transfiguração, entrevemos a glória de Cristo, a face luminosa do mistério pascal. O Pai, que exprime seu amor pelo Filho-Servo Sofredor é o mesmo que o acolherá à sua direita. Nós que, com os três discípulos, subimos um alto monte, recordamos o brilho da Aliança de Deus com seu povo liberto da escravidão e a caminho da partilha do pão, do poder e da terra. Em Jesus, renova-se essa Aliança, esse mesmo projeto libertador, projeto de vida.

A transfiguração de Jesus pretende narrar antecipadamente a vitória sobre a cruz, a vida em toda a sua plenitude, que vence os poderes de morte deste mundo, as perplexidades e desafios. Seguindo os passos de Jesus, queremos aprender com ele a criar uma nova sociedade e uma nova história.

Contemplando o cenário nacional e o de cada região de nosso imenso país, damo-nos conta de que há muitas situações que atentam contra o projeto de Deus e que, por conseguinte, não são frutos do Reino. Como disse há muito tempo, um ex-presidente do Brasil: “o Brasil não é um país pobre, mas injusto”. Nestes dez últimos anos, houve tentativas para corrigir as desigualdades, pelo aumento do salário mínimo acima da inflação e pelo programa “Bolsa Família”. E em que a Igreja pode contribuir para reverter situações que atentam contra os valores do Reino? Em que podemos, como cristãos, transfigurar tais situações?

 “As Campanhas da Fraternidade se apresentam como momentos privilegiados de se promover a formação das consciências, em torno a temas relevantes de nossa vida pública política e eclesial, buscando também ações de transformação social que levem à construção de uma sociedade mais justa. Diversas outras ações levadas adiante pelas pastorais católicas, longe de ser uma intromissão indevida da Igreja no Estado, são decorrentes da própria missão confiada à Igreja por seu Fundador e são igualmente uma contribuição à construção de um mundo mais justo e fraterno” [1].

Recordando a Palavra

Abraão é exemplo de obediência a Deus; a vivência da fé está sempre ligada à sua pessoa. Pela fé, ele se torna fonte de bênçãos para todas as famílias da terra.

Mas, como aconteceria isso se Abraão não tinha filho? Finalmente, ele recebe um filho, Isaac, no qual sua descendência seria numerosa como as estrelas do céu e as areias do mar. Isaac é o fruto da promessa, o filho muito amado, a esperança do futuro. Observando, porém, que os povos vizinhos de Israel sacrificavam crianças aos seus deuses para manifestar o amor que tinham por eles, Abraão começa a se perguntar se também o Deus de Israel queria que ele sacrificasse o seu único filho. Mas, Deus não aceitou o sacrifício de Abraão e isto fez o povo entender que Deus não quer sacrifícios humanos, não quer a morte do homem, mas a vida (cf Jo 10,10). Abraão passa, então, a considerar Isaac como duplo dom de Deus: nascido de Sara estéril e liberto da morte.

A narração (Gn 22,1-2.9a.10-13. 15-18) quer mostrar que a disponibilidade da fé de Abraão é agradável a Deus, que renovará as promessas a ele feitas. Abraão viveu a fé em situações adversas: acredita que podia ser pai, apesar de sua velhice e de Sara; acredita que a obediência a Deus está acima dos próprios laços de sangue (sacrifício de Isaac, o primogênito). Na realidade, o pano de fundo deste quadro bíblico bem antigo reforça ainda mais a fé de Abraão no Deus da Vida.

Abraão se encontrava em um dilema: seguir os costumes da religião cananeia, que ordenava sacrificar o primogênito para ter a bênção dos deuses? Ou confiar no Deus da Vida que mandava acreditar na promessa? O núcleo central do texto de Gênesis proclamado neste domingo é crer, mesmo em meio à escuridão. Abraão cala diante do mistério. Ele teve de enfrentar tudo sozinho, em silêncio e envolvido pelo mistério incomparável de Deus, superando pela fé e confiança os absurdos que a vida lhe apresentava.

O Salmo 116 é uma oração pessoal de ação de graças. O justo, que guarda a sua fé, dirige a Deus o agradecimento, depois de violentas provações. Com o salmista, agradecemos a pronta resposta de Deus ao nosso grito, nos momentos de tribulação.

Na segunda leitura (Rm 8,31b-34), descobrimos que a fidelidade de Deus, anunciada na primeira leitura, é aqui plenamente proclamada: Deus está com todos os que têm fé e que por ela são justificados (cf 8,30).

 O texto paulino segue a linha de pensamento da primeira leitura: Deus não poupou seu próprio Filho, para que ele intercedesse por nós (8,32). E em sua fidelidade ao Pai, Cristo dá a vida por nós, não quer condenar-nos. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (8,31b). Se Deus não é contra nós, não nos nega nada, não nos acusa, não nos condena. Esse argumento pode resumir-se em uma pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo e do Pai?” (cf 8,33). Só nós podemos separar-nos do amor de Deus em Cristo Jesus. Deus jamais romperá a sua Aliança conosco, pois ele é um Deus fiel. Nele temos a certeza da vitória, a libertação plena.

O texto da transfiguração se encontra no meio da narrativa de Marcos. Os discípulos, finalmente, reconheceram em Jesus o Messias, o Cristo (cf 8,29). Mas Jesus lhes explica que o “Filho do Homem”, como se chama a si mesmo (cf Dn 7,13-14), não devia ser imaginado como um messias conquistador, à maneira do rei Davi, e sim, como o Servo Sofredor de Is 52,13-53,12. O destino do Messias é a glória, mas o caminho é a cruz.

A cena da alta montanha (Marcos não diz de que monte se trata!) repete a do batismo de Jesus no Jordão e prefigura sua morte e ressurreição: “Este é meu Filho amado” (cf 9,7; 1,11). Devemos relacionar também a cena da transfiguração com a que se encontra no fim do evangelho de Marcos, quando o véu do Santuário foi rasgado em dois, de alto a baixo o centurião romano, ao pé da cruz, exclama: “Realmente este homem era Filho de Deus” (cf 15,38-39).

A descrição de Marcos possui especial beleza. Ele diz que Jesus tem suas vestes mudadas, tornando-se brilhantes, extremamente brancas, de uma brancura tal que nenhuma lavadeira sobre a terra as poderia alvejar. As vestes de Jesus agora se parecem com as dos mártires (cf Ap 3,15-18;7,9-14). O martírio será o seu destino, mas a vitória será sempre da Vida.

Jesus está acompanhado de Moisés e Elias (Lei e Profetas), que confirmam cm suas histórias o caminho de Jesus na direção do conflito final e da cruz. Esses dois personagens do Primeiro Testamento não estão presentes como enfeites ou convidados de honra ou testemunhas da glória de Jesus. Eles aí estão para explicar a Jesus qual é a sua missão como Filho. Essa missão consiste em sair deste mundo, em fazer uma Páscoa, em sofrer uma Paixão.

Pedro, porém, toma a cena como se fosse de triunfo, e com sua proposta – armar três tendas – espera desviar Jesus do trajeto já indicado. Na verdade, Pedro não sabia o que estava dizendo, porque tanto ele como seus companheiros, Tiago e João estavam com muito medo (9,5-6). Não seria bom ficar no monte, porque ficar ali, em vestes brancas e brilhantes, seria não ouvir a resposta de Moisés e Elias ao “este é meu Filho amado” pronunciado pelo Pai: Filho é aquele que tem o destino de sofrer em favor de seu povo.

Filho é aquele que obedece, aquele que é destinado a sofrer por seu povo, aquele que perdoa e se doa. Filho é aquele cuja glória é restaurar-nos à plena amizade com seu Pai, a todos nós, começando por Jerusalém e estendendo-se até os confins da terra.

Agora, sabemos o que é ser Filho de Deus. É obediência/reverência; é abraçar o destino de viver e morrer pelo povo; é amar os inimigos no momento de ser crucificado por eles, e encontrar sua única esperança no Pai invisível e silencioso; é ser o ministro vitorioso da reconciliação com Deus e com o próximo para toda a humanidade.

 A passagem – Páscoa – de Jesus pela morte o levará à ressurreição: “por isso Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo nome” (Fl 2,9).

Atualizando a Palavra

Abraão é provado, e a prova de Abraão não consiste simplesmente no sacrifício do filho, mas deste filho. Isaac é um dom especial de Deus, prova de seu amor onipotente; é a promessa cumprida. O velho patriarca tem de sacrificar um filho que ama e uma promessa cumprida que ele reconhece; e tem de continuar crendo e esperando. Tem de sacrificar uma experiência recebida de Deus, para abrir-se a outra nova por meio do mistério.

O que significa hoje para nós, ter que percorrer um caminho doloroso, o caminho da cruz e do sofrimento, acreditando que é justamente este caminho que nos conduzirá à bênção, à salvação? Nos momentos de provação, angústia e abandono, que ultrapassam nossa natureza e nossa lógica, como continuar crendo que o nosso Deus quer a vida e não a morte (cf Jo 10,10)?

O trecho da carta de Paulo aos Romanos inicia com uma pergunta: “se Deus é por nós, quem será contra nós”? E seguem outras perguntas cujas respostas parecem óbvias.

 Como alguém que se defende de um processo de acusação, a pessoa justificada por Deus possui a certeza da vitória, pois tem como advogado de defesa o próprio Jesus ressuscitado, que intercede à direita de Deus.

 Com uma série de perguntas, Paulo celebra a certeza das comunidades, que é também a nossa certeza, de que o projeto de Deus vai vencer. “Deus é por nós, ninguém será contra nós” (8,31b). “Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós. Por isso, juntamente com ele, nos dará tudo o de que precisamos” (8,32). Quais são as certezas que queremos celebrar hoje? O que tem isso a ver com a nossa realidade? A certeza de que ninguém poderá ser contra nós é, de fato, uma experiência que invade a nossa vida em todas as dimensões: cabeça, coração, vontade, espírito, menta, mãos, pés?

 Se realmente a experiência do amor de Deus está na raiz de tudo, começamos a olhar tudo a partir desta nova experiência: a vida, a história, a lei, as pessoas, o trabalho, o dia-a-dia da caminhada, a missão, o próprio Deus.

 Lendo e relendo em profundidade o texto da transfiguração segundo Marcos, levando em conta o seu contexto, descobrimos que nele está uma experiência profunda e crucial de Jesus diante de uma tomada de decisão. Ele tem de escolher entre várias possibilidades qual será a sua missão e destino: um Messias nacionalista e vitorioso; uma fuga para um individualismo e comodismo; um Messias sofredor. O amor de Jesus por seu Pai e pelo seu povo, cansado e abatido como ovelhas sem pastor, foi capaz de fazer com que ele seguisse o caminho da cruz, um caminho messiânico, com o intuito de criar um mundo plenamente humano, desafiando o poder dominante. Esta experiência de Jesus é transmitida, refletida e relida pelos primeiros cristãos em sua própria prática. O texto do jeito que se encontra é uma releitura pós-pascal. Trata-se de uma confissão de fé dos primeiros cristãos em Jesus crucificado e ressuscitado. Ele não é um Messias glorioso, triunfante e que faz milagres, mas um Messias sofredor que passa pelo caminho da cruz por causa de sua prática libertadora.

 Trazendo o texto para os dias de hoje, para a nossa vida de seguidores de Jesus, podemos constatar reações e comportamentos semelhantes aos dos discípulos, ou seja, instalar-nos em uma posição triunfalista? Fixando, como discípulos de Jesus, o olhar no seu rosto resplandecente, no mistério da transfiguração, entendemos este momento apenas como revelação da glória de Cristo ou também como preparação para enfrentar a cruz?

  “Subir ao monte” e estar envolvidos, por alguns momentos, no esplendor da glória implica um “descer do monte” e continuar a realidade cotidiana onde vemos “somente Jesus” na humildade de sua natureza humana. Jesus nos convida a regressar ao vale para partilharmos com ele a dureza do desígnio de Deus e enfrentar com coragem o caminho da cruz.

  “Descer do monte” é enxergar a situação concreta em que vivem tantos irmãs e irmãos nossos desrespeitados em sua dignidade, reconhecer que o projeto de nação que temos nem sempre considera adequadamente os anseios do povo, perceber que, com frequência, os mais pobres são tratados como supérfluos e descartáveis. É bastante olhar a quantidade de moradores de ruas, em especial nas grandes cidades, as crianças abandonadas tentando ganhar a vida nos semáforos, o crescimento das favelas, as filas intermináveis nos hospitais públicos…

 O episódio da transfiguração assinala um momento decisivo no ministério de Jesus. É um evento de revelação que consolidou a fé no coração dos discípulos, preparou-os para o drama da cruz, e antecipou a glória da ressurreição. Com os três discípulos escolhidos, continuamos a contemplar o rosto transfigurado de Cristo, para sermos confirmados na fé e não correremos o risco de soçobrar ao ver o seu rosto desfigurado na cruz.

Ligando a Palavra com a ação eucarística

Característica profunda deste tempo forte de Quaresma é a nossa participação no mistério pascal de Cristo, ou seja, na sua morte e ressurreição. Este tempo, que volta a cada ano, nos permite avançar no processo pascal de identificação com Cristo, “até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13).

Na eucaristia, nos reunimos como comunidade viva, que experimenta a presença de Cristo ressuscitado como Senhor da história. A Páscoa se torna presente na celebração como memorial. O fato histórico da Páscoa se perpetua no rito que o celebra. O fato histórico da paixão, morte e ressurreição de Cristo tornou-se celebração ritual na última ceia que ritualizou este acontecimento.

Importa termos consciência de que, como Igreja, como comunidade cristã reunida não repetimos exteriormente o gesto ritual de Cristo na última ceia, mas realizamos o sinal de sua entrega.

 No Primeiro Testamento, Deus poupa Isaac, o filho da promessa. Mas, chegará o dia em que ele aceitará o sacrifício de seu Filho, como expressão de seu amor pela humanidade para salvá-la. O Pai não reserva para si o Filho único, mas o entrega para a salvação do mundo (cf Jo 3,16; Rm 8,32). A tradição da Igreja sempre viu em Isaac uma prefiguração de Cristo.

O sacrifício de Abraão, figura do sacrifício de Cristo, é o modelo de nossa resposta de fé e amor ao plano de Deus. A obediência amorosa a Deus, que supõe a fé, sobretudo quando se opõe à nossa natureza e à nossa lógica, é portadora de salvação. A glória que nos aguarda (como as promessas, no caso de Abraão) dá sentido até ao sofrimento mais absurdo. O Filho de Deus nos precedeu no mesmo caminho da cruz. Portanto, não há lugar para desânimo e dúvida; de fato, ninguém nos pode separar do amor de Cristo (cf Rm 8,38).

 A eucaristia da qual participamos a cada domingo da Quaresma nos coloca sempre de novo no processo pascal, nos transfigura e nos faz experimentar antecipadamente o banquete do Reino, da ceia dos redimidos, no qual há lugar para todos, também para os desfigurados, os pobres e sofredores, os que são considerados supérfluos e descartáveis.

Sugestões para a celebração

1 . Mais uma vez, destacamos a cruz, que deverá ir à frente, na procissão de entrada: o Cristo caminha conosco e encabeça seu povo na caminhada rumo ao Pai, no seu êxodo pascal. Outros dois símbolos que receberão destaque: a caminhada e a luz.

2. Onde for possível, reúnam-se as pessoas fora da Igreja, acolhendo-as fraternalmente. A equipe de celebração abraça ou aperta a mão de cada um em sinal de acolhida afetuosa. Podem ser distribuídas velas que serão acesas, enquanto se entoam refrãos quaresmais. A luz simboliza a fé e a vida nova, a ressurreição, que a transfiguração do Senhor antecipa. “O Senhor é minha luz, ele é minha salvação. Que poderei temer? Que poderei temer”? (Sl 27).

3. Após o sinal da cruz e a saudação, pode-se fazer a recordação da vida, trazendo presentes as situações que hoje, em nosso país, em nossa região, em nossa cidade precisam ser transformadas, transfiguradas, especialmente o nosso povo sofrido, que clama por vida plena. A seguir, com as velas acesas, iniciar a procissão de entrada para o interior da igreja.

4. A Quaresma é tempo de retomar o caminho do Evangelho, tempo de reavivar o primeiro amor e, assim, nos preparar para a renovação das promessas batismais na Vigília Pascal. O sacramento do batismo deverá, pois, ser recordado ao longo da Quaresma, por exemplo, no momento do Credo, (símbolo da fé), no qual as pessoas poderão recitá-lo ou cantá-lo voltadas para a cruz e com a mão direita erguida em sua direção.

Obs: a) publicado pela CNBB nacional.
b) Com autorização da autora, alguns subtítulos foram alterados para a postagem.
c) imagem enviada pela autora (retirada da internet)

[1] Texto Base da  CF 2015 – VER  n.69.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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