Emanuela Cristo  Quaresma

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Parte II – Dimensão batismal da Quaresma 

          A Páscoa é uma festa essencialmente batismal. É a celebração do batismo daqueles e daquelas que se prepararam durante a Quaresma. A Igreja gera novos filhos na fé. Mas, enquanto ela se torna catecúmena, os cristãos se preparam para renovar os seus compromissos batismais.

           Os cristãos batizados têm consciência de que ainda não alcançaram a plenitude do ideal cristão, que é o próprio Cristo Jesus. Sabemos que o processo de nossa conversão não chegou ao fim. Somos caminhantes. Temos consciência de que, muitas vezes, nos tornamos infiéis à aliança batismal, não correspondemos à proposta do amor de Deus em Jesus Cristo. Daí o sentido da penitência quaresmal para todos: um tempo propício para retomar os compromissos do batismo ou para fortalecê-los.

 Quaresma, tempo favorável

 “O retorno desses dias que os mistérios da salvação humana marcaram de modo mais especial e que precedem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos preparemos com maior cuidado por meio de uma purificação espiritual”. [1]

            Na Quaresma, tempo dedicado a uma cuidadosa purificação espiritual, preparamo-nos para usufruir os dons pascais. A Igreja propõe a nós, seus filhos e filhas, esse tempo favorável, exortando-nos a não receber em vão a graça divina (cf 2 Cor 6,1-2).

            Antes de tudo, é necessário entrar no próprio íntimo e buscar a conversão do coração, pedindo com o salmista: Criai em mim, ó Deus, um coração puro, renovai em mim um espírito decidido (Sl 51(50),12).

         Na verdade, o Senhor está sempre esperando de nós aquilo que, com tanta justeza, também exprime o salmista: Sacrifício para Deus é um espírito contrito; não desprezais, ó Deus, um coração humilhado (Sl 51(50),19).

            Deus mesmo mudará o nosso coração de pedra em um coração de carne, nos dará um coração e um espírito novos (cf Ez 36,26). A contrição realiza a passagem do coração de pedra para o coração de carne, ou seja, do coração ferido pelo mal para o coração renovado e recuperado pela graça.

            A Quaresma é um tempo em que nos exercitamos na conversão, esforçando-nos por dar uma orientação radical a toda a nossa vida. Jesus fala do caminho largo, que leva à perdição, e do caminho estreito, que nos conduz à vida (cf Mt 7,13-14). Encontrar este caminho estreito é custoso, dá trabalho, exige esforço.

            Como passagem transformadora de Deus em nossa vida, a Quaresma nos chama à reconciliação e à mudança de vida, festejando a busca da humanidade inteira por libertação, justiça, dignidade e paz.

 Quaresma e Campanha da Fraternidade

           A dimensão comunitária da Quaresma nos faz entrar em “Campanha da Fraternidade”, que sempre nos pede conversão e solidariedade em situações concretas de nossa realidade.

            Neste ano, preparando-nos para a Páscoa, a Igreja do Brasil nos convida a “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e recíproca colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus” [2].

          O tema proposto pela Igreja para a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano é: Fraternidade: Igreja e sociedade, e o lema: Eu vim para servir (cf Mc 10,45).

      Nesta Quaresma, à luz da Palavra de Deus e da proposta do Vaticano II, a Igreja, peregrina com o povo brasileiro, tem consciência de que precisa compreender em profundidade a sua relação atual com a sociedade e que o diálogo fraterno e sincero é a forma privilegiada de evangelização numa sociedade plural e complexa.

 Sugestões para as celebrações do Tempo da Quaresma

 1 –A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e vai até a manhã da Quinta-feira Santa, com a celebração da Missa do Crisma. A celebração do Domingo de Ramos marca o começo da Semana Santa.

2 – É importante preparar o ambiente da celebração dentro de certa sobriedade: cor roxa para as vestes litúrgicas e a ornamentação da mesa da Palavra e do altar; ausência de flores. Também silenciamos o canto do Glória e do Aleluia para retomá-los, exultantes, na noite da Páscoa. Os instrumentos musicais são utilizados apenas como acompanhamento dos cantos litúrgicos.

3 – “A Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou”: eis a antífona de entrada da Quinta-feira Santa. O ano B acentua exatamente a glorificação de Cristo pela cruz. Sua morte de cruz e sua ressurreição são esperança de um mundo novo. Por isso, a cruz deve ter um lugar de destaque, podendo ser levada na procissão de entrada, incensada e colocada em lugar bem visível durante a Quaresma.

4 – O ato penitencial, como anúncio da misericórdia de Deus e de apelo à conversão, poderá receber também um destaque maior. Ajoelhar-se, inclinar-se, utilizar o rito de aspersão são gestos que podem ser usados na Quaresma por seu significado penitencial. Momentos de silêncio durante a celebração são igualmente importantes, pois ajudam a criar um clima orante.

5 – O cartaz da CF seja apresentado à comunidade e afixado em local que possa ser visualizado, mas não no altar ou no ambão.

6 – “Cantar a Quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo…” [3] Os cantos da Quaresma sejam aqueles próprios para este tempo litúrgico e para cada parte da celebração. Tais cantos se encontram no Hinário Litúrgico da CNBB, 2º Fascículo e no CD da CF. Grande parte desse repertório se encontra nos CDs Liturgia XIII – Quaresma Ano A e Liturgia XIV – Quaresma Anos B e C.

7 – É bom que, a cada domingo, a comunidade celebrante leve um compromisso bem concreto, brotado da celebração, para ser vivido durante a semana. E, no domingo seguinte, seja retomado no início da celebração, como sinal de vida e conversão ou como motivo de perdão. Assim, a Quaresma será um caminhar pascal comunitário, progressivo e amoroso das trevas para a luz, da morte para a vida. Cuidar que este compromisso “incentive as pessoas e as comunidades a exercerem seu protagonismo no contexto social em que vivem” [4].

8 – É oportuno usar com mais frequência as Orações Eucarísticas da Reconciliação bem como os prefácios próprios e, para a bênção final, aproveitar as várias “Orações sobre o povo”, acompanhadas pelo gesto de inclinar-se, assim como as orações de bênçãos próprias para Quaresma, como indica o Missal Romano.

[1] LEÃO MAGNO, Sermão 6 sobre a Quaresma, 1: PL 54,285.
[2] Texto Base da CF 2015: objetivo geral.
[3] Hinário Litúrgico da CNBB, 2º Fascículo, Introdução. Paulus: São Paulo, 1987, p.5.
[4] Um dos objetivos específicos da CF 2015.

Obs: a) publicado pela CNBB nacional.
b) Com autorização da autora, alguns subtítulos foram alterados para a postagem.
c) imagem enviada pela autora (retirada da internet)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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