Para Dorian Jorge Freire

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Onde estão eles,
Os vivos,
Os mortos
E os pássaros azuis?

“Foi a doze de maio lá na França
Era puro e sereno o azul do céu.”
(Hino do Grupo Escolar Modelo Augusto Severo)

Onde estão eles,
Os vivos,
Os mortos,
Em pálidas brochuras escondidos?

“Meu Deus! Que mágoas tão dolorosas…
Flores: Fechai-vos, que eu vou morrer!”
(Auta de Souza)

Alecrim

Cheirando a rosa e manjericão,
Cheirando a cravo
No campo santo.

Onde estão eles,
Os vivos,
Os mortos
E os cajueiros em flor?

“Moças, cantai que a mocidade é breve,
Cordas, vibrai que abril custa a voltar.”
(Ferreira Itajubá)

Rocas.

Jangadas, areal e mar,
Cardeiros e dunas brancas,
Serenatas e luar.

Onde estão eles,
Os vivos,
Os mortos,
Solenes nos seus destinos?

“Deixando a sombra de uma dor suprema
No frágil peito da mulher querida.”
(Gothardo Netto)

Petrópolis,

O grito do ar
E a bola
Descrevendo uma parábola.

Onde estão eles,
Os vivos,
Os mortos,
Perenes no seu passado?

“Mas a alma imortal aos céus se eleva…
Que venha, pois a morte – estou tranqüila.”
(Angelina Macedo)

Tirol,

Os morros brancos
E a velha estrada
Para os sonhos.

“Quem chorará por ti, no esquecimento, quando
Outro sino disser que morreste, dobrando
Às almas que se foram e que não voltam mais?”
(Murilo Aranha)

Em mil novecentos e quarenta e oito
Pisamos o rosto de alguns mortos,
Pisamos no rosto de alguns vivos,
Incineramos alguns ossos,
Queimamos muitas lembranças,
Fizemos uma nuvem de muitas cinzas.
Natal não era mais de sonhos tão antigos,
Mas de sonhos mais novos, mais presentes.
Di Navarro pincelava as paredes do tempo
E Antônio Pinto de Medeiros
Tripudiava sobre ilusões,
Ele que delas viveu nos seus enigmas.
O verbo amar, enxuto, com ênfase,
Cabia nos corações.

“Onde era pássaro
Hoje é uma janela.”
(José Gonçalves de Medeiros)

“Minha primeira arma
Uma russega.”
(José Bezerra Gomes)

Mortos?
Adeus, para nunca mais.

Quando estou só,
Vejo-me ao lado do Potengi
No patamar da Igreja do Rosário,
No Passo da Pátria,
Na Salgadeira.
E de pensamento em pensamento,
“Sur nacelle d’or d’un revê aventure”,
Navego estes meus sonhos,
E o meu coração aporta,
Como um velho barco pirata
Na velha balaustrada do Atheneu.

Onde estão eles,
Os vivos,
Os mortos,
E os sonhos de cada vida?

“De votre souvenir qui respire en mon sein?”
(Nysia Floresta Brasileira Augusta)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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