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O mês de agôsto, no Recôncavo Baiano, é consagrado ao santo Padroeiro de Maragojipe. Na festa há também momentos profanos, com shows musicais, cantores famosos, bandas, barracas – é uma festa de largo que toma quase toda a cidade. No domingo passado, na lavagem, houve cerca de 700 ônibus. Pode-se imaginar que não havia lugar,no centro da cidade, para as pessoas se mexerem. No lado sacro, há uma programação extensa, incluindo uma bela novena, cantada em latim. No dia 24, dia litúrgico do santo, houve a tradicional missa das 5 horas da manhã, depois outra às 10 horas.No dia 29 há outra missa solene, de conclusão, às 10 horas e na 2ª feira, dia 30, haverá a tradicional procissão. Pe. Sadoc sempre se refere a essa procissão, como a mais expressiva e que conserva o esplendor das antigas procissões do Recôncavo.

S. Bartolomeu foi um dos doze apóstolos e essa palavra (apóstolo) vem do grego, significando “enviado, encarregado da missão”. Esse apóstolo é citado pelo três evangelistas sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas, mas também por João Evangelista. Ele está sempre associado a Felipe que o conduz a Jesus de Nazaré. Mas ele chega meio reticente e pergunta:”Pode vir algo bom de Nazaré?”. A resposta do colega é taxativa: “Venha e veja”. E aconteceu, a partir daí o chamado e a integração dele no grupo apostólico. No evangelho há outras cenas nas quais um conduz o outro a Cristo. É o caso de André que apresenta Pedro a Cristo, e o caso clássico de João Batista que teve como missão apontar o Cristo como “ o Cordeiro que tira o pecado do mundo”.

As infromaçõe sobre esse apóstolo são escassas, pois os evangelhos têm uma centralidade no Cristo, que torna secundários todos os que estão em torno dele. A própria presença de Maria se reduz a algumas poucas linhas – todas profundamente programáticas e reveladoras da missão dela. José, o pai carpinteiro, simplesmente, desaparece. Os evangelhos chamados de “apócrifos”, que uma versão do senso comum quer chamá-los de “falsos”, mas que na etimologia grega quer dizer “secretos”, é a base para a vida desse seguidor de Cristo. Lá se diz que ele passou pela Frígia, Armênia ( regiões da Ásia Menor), também na Mesopotâmia ( atualmente é o Iraque), assim como na Pérsia ( o Irã, recentemente em relevo na imprensa internacional, por causa do problema do adultério de uma mulher – mas se esqueceram de procurar quem adulterou com ela…),e, finalmente, teria passado pela Índia Oriental. Independente de qual teria sido seu périplo missionário, a tradição coloca-o no rol dos mártires, destino de todos os apóstolos, com exceção de João Evangelista, que teria morrido centenário.

Maragojipe é a terra das palmeiras, dos pescadores, dos marisqueiros, daqueles que lutam para sobreviver tirando o seu sustento a partir daquele elemento primordial, a água. É também a terra visitada por D. Pedro II, que registra no seu Diário, dentre outros recantos do Recôncavo, também essa cidade. (Ele fora orientado pela Condessa de Barral a visitar alguns pontos, deixar de visitar outros, etc.). Mas essa terra foi, ao menos vista do rio, pelo recentemente proclamado santo, Frei Galvão, que estudou em Belém de Cachoeira, na segunda metade do século XVIII. Alguns acham que ele teria descido do navio, pelo menos uma vez, para visitar a cidade.

Como tantas outras regiões do país, Maragojipe tem desafios: a educação, a saúde, a falta de trabalho e, especialmente, a luta com relação às drogas, que corrói a juventude, acorrentando-a aos atravessadores.

Maragojipe se prepara, com um entusiasmo especial, para integrar a nova Diocese que terá como sede a cidade de Cruz das Almas. E tem como título Nossa Senhora do Bom Sucesso – o título já é um indicativo de que essa implantação será culminda de êxito. O pároco local, Pe. Reginaldo e seu vigário cooperador, Pe. Mateus Leal, têm se desdobrado no atendimento e acolhida dos fiéis, visitantes e turistas que acorrem nesses dias à cidade. Nesse sentido, diz o Pároco:”Maragojipe, que é chamada a terra de S. Bartolomeu e das palmeiras, está acolhendo a todos para que juntos possamos festejar o Benigno Bartolomeu”.

O caprichado folder da festa, elaborado pela Paróquia e a Secretria de Turismo do Município, cita um trecho do livro “Santidade, Ontem e Hoje”, de Zélia Viana, sobre o santo festejado:”Nos dias de hoje, em que a hipocrisia das atitudes e a falsidade das palavras permeiam as relações na sociedade, merece especisal atenção o elogio que Jesus fez a Bartolomeu: ‘Eis um israelita no qual não se encontra falsidade’. Não é sem razão que o povo diz que um dedal de bons exemplos vale mais que um tonel de bons conselhos”.

Sebastião Heber. Professor adjunto da UNEB, da Faculdade 2 de Julho, da Cairu, Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Academia Mater Salvatoris.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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