NA PALAVRA DE CONSUELO PONDÉ DE SENA

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O dia 15 de agosto foi de grande festa em S. Gonçalo dos Campos. Lá a Irmandade da Boa Morte, que já é centenária, celebrou, com as honras devidas, a data da Assunção de Maria, sob o título de Boa Morte. Pela primeira vez foi publicado um livro que resgata essa tradição naquela cidade. O livro da minha autoria, com o diácono Luciano Curvelo e Rosete de Fátima Santos, intitula-se: “As Irmãs do Cajado – A Irmandade da Boa Morte em S. Gonçalo dos Campos”. O prefácio foi de Consuelo Pondé, Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (A Casa da Bahia) que, não podendo comparecer, enviou uma mensagem lida na Missa (momento de lançamento do livro): “Às Irmãs do Cajado, ao Pe. Aristótelis (pároco e que fez a Introdução do livro), ao Prefeito, Sr. Antonio Dessa Cardoso ( a Prefeitura patrocinou o livro), ao vereador Gilson Ferreira Cazumbá, que trouxe apoio à publicação, aos co-autores do trabalho a ser lançado nesse dia, especialmente, ao meu fraterno amigo Sebastião Heber, a todo o povo desse belo e aprazível ‘Jardim do Recôncavo’. Desejo, de todo o coração, apresentar-lhes os meus cumprimentos pelo marcante evento religioso-cultural, que se eterniza no lançamento do livro ‘Irmãs do Cajado – a Irmandade da Boa Morte de S. Gonçalo dos Campos’, trabalho que confere prestígio à comunidade de S. Gonçalo dos Campos, do Recôncavo Baiano, celeiro inesgotável das mais legítimas tradições do nosso Estado. Valho-me da mesma oportunidade para apresentar-lhes as minhas desculpas pela ausência involuntária, esperando em Deus que nova ocasião se me apresente, a fim de proporcionar-me a alegria de visitar essa cidade e conhecer a alma generosa da sua gente. Com meus respeitosos cumprimentos”.

Apresento alguns excertos do precioso Prefácio:

“Quando um autor se debruça, insistentemente, sobre um tema, é porque o assunto o apaixona e instiga-lhe a curiosidade. Nasce nele a vontade imperiosa de ir mais fundo, de investigar variantes, de aprofundar-se na análise das origens e no desdobramento do objeto da sua investigação.

No caso de Sebastião Heber Vieira Costa, “A Festa da Boa Morte” tem-se tornado uma fixação intelectual. Por isso, sobre o assunto, tem escrito com regularidade. Desta vez, brinda os leitores com este livro intitulado: ‘Irmãs do Cajado’, em que analisa os vestígios do culto em São Gonçalo dos Campos, local conhecido como o ‘Jardim do Recôncavo’. Para esse fim, o autor utiliza os ‘instrumentos da Antropologia’ e vai a campo, desempenhando a agradável tarefa de realizar a ‘observação participante’ para efetuar interessante estudo dessa manifestação do ‘catolicismo popular’ em nosso meio.

Como estudioso da antropologia, ele conhece muito bem a relação ambígua que a Antropologia mantém com a história, desde a sua origem, ou seja, quando estiveram umbilicalmente ligadas nos séculos XIX e XX, embora se reencontrem periodicamente.

A Antropologia emancipou-se no século XX, merecendo menção que escutei em brilhante palestra do historiador francês, Fredéric Mauro, durante curso por mim coordenado no extinto Centro de Estudos Baianos da UFBA. Ao concluir sua lição final, o respeitado Mestre da História Nova declarou categoricamente: ‘Para mim, todo conhecimento sobre o homem se reduz à Antropologia’. No Brasil, Gilberto Freyre, empenhado em entender a ‘formação da sociedade brasileira’, revelou como a Antropologia pode utilizar o conhecimento histórico.

É sabido que as preocupações de criar uma ‘ciência do homem’ nasceu sob forma de projeto no século XVIII, significando não apenas um intento especulativo, mas sensivelmente positivo sobre o homem. De acordo com Michel Foucault, com a modernidade, é que a Antropologia se realiza plenamente.

A vertente seguida por Sebastião Heber é a religiosidade de matriz afro-brasileira, sendo os muitos autores relacionados na bibliografia deste trabalho, dedicados aos estudos africanos e outros tantos ligados aos estudos da religião ou religiosidade popular em nosso meio, a exemplo dos autores: Roger Bastide, mencionado anteriormente neste prefácio, Cândido Costa e Silva, Eduardo Hoornaert, Edison Carneiro, Gilberto Freyre, João José Reis, Pierre Verger, Raul Lody, René Ribeiro, Riolando Azzi.

Esse trabalho quer contemplar, especialmente, os vestígios do culto de Nossa Senhora da Boa Morte, em São Gonçalo. Sebastião Heber revisita o tema de maneira didática, de modo a permitir o leitor fixar elementos relacionados com seus estudos anteriores, clarificando idéias e esclarecendo possíveis dúvidas.No caso de São Gonçalo dos Campos (BA), o autor também confere a devoção à influência católica, procedente, portanto, de Portugal, que a recebeu remotamente da tradição cristã do Oriente, sob o título de Dormição da Assunta, tendo sido repassada para os cristãos do Ocidente, chegando até nós, via Portugal.

Temos assim, mais um “mergulho” do antropólogo pernambucano/baiano sobre evidências do antigo culto de Nossa Senhora da Boa Morte, em São Gonçalo dos Campos, à disposição dos estudiosos da cultura baiana e brasileira”.

O livro fica à disposição dos interessados, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, no horário da tarde.

Sebastião Heber. Professor Adjunto de Antropologia da UNEB, da Faculdade 2 de Julho e da Cairu. Membro do IGHB ,do Instituto Genealógico e da Academia Mater Salvatoris

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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