Dasilva 13 de julho de 2010

15 de fevereiro, 2010.

1. Uma vez perguntaram a um compositor brasileiro se ele era socialista. Ele respondeu que sim, desde que seu pai vendia sua força de trabalho para encher o cofre do capitalista. Disse que era por estar convencido que “quem trabalha e mata a fome, não come o pão de ninguém, mas quem come e não produz, sempre come o pão de alguém”. Se a produção da mercadoria é um esforço social – feita por milhões de pessoas – nada mais justo que a apropriação dos frutos do trabalho seja também social.

2. Como para testá-lo, o repórter perguntou se ele deixaria de ser socialista, se 50 companheiros abandonassem o socialismo. Sem hesitar, o compositor respondeu que jamais. E se 99 abandonassem a luta pelo socialismo, insistiu o entrevistador. O músico repetiu que continuaria, pois, a construção da sociedade sem exploração é uma causa justa. Além disso, se hoje, renegasse essa sua convicção que não nascera da moda, do interesse particular ou da conveniência, estaria mentindo, desde o começo.

3. Um recruta não está certo quando marcha desigual aos 99 de seu pelotão. Só que, na questão de princípios, a veracidade não se mede pela quantidade de opiniões a favor ou contra. Na história há casos onde o voto da maioria não significou que a maioria estava certa, mas apenas que havia mais gente errada. Ou seja, a minoria pode estar certa, mesmo que, em determinada correlação de forças, não consiga fazer valer seu ponto de vista ou, por não convencer a maioria, da justeza de sua proposta.

4. É comum, em tempos de crise e de dúvidas, crescer uma ofensiva das idéias individualistas, consumistas e privatistas e, deixar a população confusa. Por um misto de ingenuidade, de esperteza e de fragilidade, o povo prefere não pensar – segue o senso comum, fica em cima do muro, surfa na onda do momento, se dissolve na multidão – porque não percebe que esse aparente caos é planejado e insuflado para ser rentável. E, ao cuidar só de si, acaba por trocar seus sonhos por 30 moedas de prata.

5. Profetas e revolucionários perseveram, até o fim. Caminham, no deserto, como se vissem o invisível, convocando homens e mulheres, para o mundo sem classes onde a terra é de quem trabalha e quem trabalha, come. Sabem que a hora vai chegar e o dia já vem vindo. Assumem a missão de portar a faísca sagrada capaz de incendiar a multidão, inquieta e manipulada, por toda sorte de mercenários. Já viram que tudo que nasce monstro, morre cedo; mas, minoria que não vira multidão, também desaparece.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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