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1 – LITURGIA PARTICULARMENTE DRAMÁTICA

Estamos na Oitava da Páscoa. Acabamos de sair da Semana Maior, o momento mais importante do ano da Igreja. Domingo, com ramos e palmas, recordamos a entrada triunfal de Jesus, aclamado pelos peregrinos que subiam à Cidade Santa, e o acolhemos como Messias de Deus. Na Quinta-Feira Santa, com o Lava-Pés e a Santa Ceia, recordamos a Última Ceia de Jesus, a instituição da Santa Eucaristia e o Mandamento do Amor. Na Sexta-Feira nossa atenção esteve voltada para a Paixão de Jesus, o “Dia de Trevas”. No Sábado à noite, a tradição da Igreja nos convidava a viver a solene Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”, como dizia Santo Agostinho já no século IV. O costume da Igreja é romper a aurora em oração e voltar a cantar “Aleluia” para proclamar a gloriosa ressurreição de Jesus. Na solene liturgia da Vigília, rememoramos a história da salvação, da criação até hoje, acendemos o fogo novo para iluminar as trevas, a igreja se ilumina e se reveste de branco, o círio pascal se acende como sinal de Cristo, luz do mundo, a água do batismo nos anuncia a nova criação… Finalmente, o Domingo de Páscoa amanheceu, a estrela d’alva no céu a indicar nosso destino de gente ressuscitada com Cristo, na certeza de que a luz vence as trevas. Liturgia é drama para que possamos perceber o drama em que está envolvida nossa vida de cada dia.

Celebramos o mistério terrível e sublime da morte do Filho de Deus, celebramos a experiência humana mais profunda e misteriosa, nossa redenção: apesar de limites e pecados, ousamos sentir-nos nas alturas inauditas da condição de filhos e filhas de Deus. A Bíblia o diz com um brado de entusiasmo: apesar das aparências, “com Ele nos ressscitou e nos fez assentar nos céus em Cristo Jesus” (Ef 2,6).

Quem seguiu o lecionário da Igreja desde a chamada Semana da Paixão, anterior à Semana Santa, teve a oportunidade de experimentar a pedagogia da liturgia: a leitura dos evangelhos, cada dia, nos conduzia a reviver os últimos dias de Jesus – acusações, ódio dos poderosos, o nervosismo do conflito crescente, a tensão da perseguição, tudo a anunciar o desfecho da inevitável condenação à morte.

Evidentemente, ao contemplar esse “mistério da humanidade de Jesus”, como se gostava de dizer na Idade Média, não cabe sentimento de tristeza ou de desapontamento, diríamos, “teologal”, pois temos certeza, na fé, de que Jesus está vivo e vitorioso. Mas a cada ano nos acercamos de suas dores, paixão e violenta morte, como “paixão de Cristo”, do Messias de Deus. Isto quer dizer que em Jesus Deus revela que assume a dor humana, a dor de todos os seres humanos (cf. 1Cor 1, 17-31) – “Eis o Homem”, diz de forma magnificamente teatral o Evangelho segundo S. João.

(Em 11 de abril de 2010)

* Bispo da Diocese Anglicana do Recife – DAR
www.dar.ieab.org.br

Obs: A PARTE II será postada no proximo dia 22.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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