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Uma da principais características do regime democrático é a possibilidade de aproveitamento livre de todas as potencialidades humanas. Nada melhor do que o ar da liberdade para que um indivíduo possa desenvolver todo seu potencial, livre de regras e obstáculos artificialmente criados por regimes políticos, e fórmulas administrativas obscuras.

Quando doutrinas autoritárias começam a se misturar a administração de corporações, o livre fluxo de potencialidades começa a ser cerceado causando ondulações em ciclo no seu desenvolvimento, inibindo ou as vezes até provocando retrocesso em programas que fluíam com normalidade.

Descartar ou desprestigiar àqueles que detém maior experiência no processo, apenas para alocar possuidores de formação acadêmica, supondo que um título faz o homem, provoca o surgimento da desmotivação na fatia que possui muito do histórico de vida da instituição.

Esta visão deformada da realidade acaba por não permitir a migração do conhecimento entre as partes, porque nesta vida, sem prazer nada se faz. E não há prazer no trabalho cujo mentor é transformado em discípulo unicamente porque esse bem se tornou mestre para atender as necessidades corporativas de algum momento, mas não possui graduação superior.

Um individuo vale pelo que é. Independente de qual graduação ou formação tenha. Ou mesmo que não tenha, pois a diversidade humana não se prende a títulos. Claro que estes certamente poderão levar as qualidades da pessoa ao infinito, mas jamais será fator decisivo para competência ou moldagem de perfil. As qualidades e defeitos estão inseridos nessa trama muito antes do primeiro suspiro.

Selecionar pessoal por critério de castas de conhecimento certificado sem dar margem ao potencial criativo individual onde florescem as vocações que impulsionam o conjunto, seria o mesmo que chamar o desastre para uma justa dança. Na realidade o que deveria ter sido feito seria através de investimento próprio, da corporação; fornecer a formação acadêmica àqueles que mesmo não a possuindo mas ainda assim se destacaram.

E não condenar uma geração que foi muito importante para o desenvolvimento do conjunto ao ostracismo e ao chamado “fim de ciclo”, como se agora estes fossem apenas peças de engrenagens desgastadas facilmente substituídas. Engrenagens não possuem memória, mas funcionários antigos as detém. Numa máquina se troca um componente, mas no corpo dinâmico de uma empresa, se perde consistência. Perdendo consistência se perde competitividade. Lucros diminuem, eficiência operacional se desgasta possíveis prejuízos a frente não são apenas imaginação.

Então mesmo que os índices não venham a retroceder, ainda assim fica o ranço truculento do descaso com uma parcela significativa do corpo técnico. Uma demonstração inequívoca de falta de respeito com os mais antigos, e uma imagem azeda de insensibilidade e da associação com práticas antidemocráticas não condizentes com as melhores características da liberdade de pensamento.

Democracia capitalismo sociedade de livre mercado não podem prescindir do melhor em todos os aspectos. Conhecimento, experiência, atitude e a força renovadora da juventude. Porém, desde que se respeite a tênue fronteira entre estas características e não se faça com elas, por falta de jeito ao lidar com o caldeirão, um significativo angu de caroço.

Respeito: aquilo que o individuo espera.
Dignidade: ausência, a morte.
Existência, Vida!

Obs: Imagem enviada pelo autor.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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