(Homilia no Culto Ecumênico de abertura da Campanha da Fraternidade 2010)
Recife, 20 de Fevereiro

 

“Este e o dia que o Senhor fez, exultemos e alegremo-nos nele”!
Muitas pessoas se espantam quando a Igreja fala de Economia ou critica sistemas econômicos injustos. Dizem, a tarefa da Igreja se dá no campo das realidades espirituais. O que são, porém, as realidades espirituais? Supremamente espiritual é a pessoa, e esta é “espírito encarnado”. Espírito é nosso corpo capaz de conhecer e de projetar o futuro, capaz de amar e por isso dialogar. O espírito atua e se revela em nossas relações com as pessoas e as coisas, que são sempre materiais. É enquanto seres materiais que somos pessoas, imagem e semelhança de Deus. Nossa vida espiritual atravessa as duas dimensões fundamentais de nosso corpo: a erótica (o prazer de viver) e a econômica (a conquista dos meios de vida). Nas relações com as pessoas (erotismo) e nas relações com as coisas (economia) é que se revela de que espírito somos. A Economia tem de ter espírito, estar a serviço do propósito de Deus para a vida das pessoas. Uma “economia de comunhão”, uma economia de partilha é manifestação evidente do Espírito. Dualismo corpo-alma, matéria-espírito, Igreja-mundo, espiritualidade-política, oração-dinheiro, o dualismo é degradação do Evangelho. O espiritualismo é traição ao Espírito.
É significativo: na última viagem à Cidade Santa, no caminho com seus discípulos, Jesus toma o tempo para instruí-los a respeito do Reino de Deus. E qual é o conteúdo da instrução? Ele poderia ter falado de inúmeros temas, de como devia organizar-se a Igreja, por ex. No entanto, só fala de dois assuntos: poder e dinheiro. Insiste sobre os dois sentimentos mais profundos que afetam todas as relações: o desejo de tudo dominar, inclusive as pessoas; o desejo de tudo possuir, inclusive as pessoas — e isso é destrutivo da comunidade. Para Jesus, portanto, nas relações políticas (poder) e nas relações econômicas, (posse) é que se dá o grande conflito entre o Deus vivo e os ídolos:ou servimos o Deus vivo pelo serviço às pessoas vivas, ou servimos os ídolos do poder, cuja imagem está gravada nas moedas, e as imagens são símbolos narcisistas de nossas carências e autocomplacência. Ou servimos a Deus ou o dinheiro. Ou compreendemos a vida como comunhão mediante relações fraternas e partilha dos bens, ou buscamos desesperadamente apropriar-nos das coisas e das pessoas a nosso serviço, para preencher o vazio de insegurança infantil que nos devora.
(*) Bispo da Diocese Anglicana do Recife – DAR
Obs: A Conclusão será postada no próximo dia 01.06.
Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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