novembro de 2009.

A leitura é uma interlocução mediada pelo texto. É o encontro com um autor ausente, deste e de muitos séculos, através de sua palavra escrita. Então, se pode falar em várias leituras possíveis porque, cada nova leitura pode deslocar e alterar o significado de tudo o que se já leu. O diálogo do aprendiz de natação é com a água, não com o professor (M. Chauí).

Na leitura, o diálogo é com o texto. O grande e sublime mérito de quem educa seria tornar-se um fazedor de leitores para oferecer opções (na sociedade, na família, na escola) e criar posições incomodamente divergentes.

Ensinar a gostar de ler só acontece quando a leitura se tornar uma atividade livre. Tudo que se faz por obrigação tende a ficar chato. Para tanto, quem educa deve ter o hálito da leitura para mostrar que leitura é coisa que se transmite pelo exemplo, é algo de pele, de cheiro, de sabor, onde todos os sentidos se confundem em nome do prazer, da liberdade, da imaginação. Como se relaciona ao prazer se poderia dizer que ler é mais importante que estudar (Ziraldo), pois o trabalho que se faz por prazer deixa de ser um fardo, além de trazer resultados. (Isto não nega que o hábito da leitura exige disciplina, esforço individual e persistência).

Ao celebrar uma editora popular, é preciso recordar sempre que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e que a leitura da palavra implica sempre a continuidade da leitura do mundo (P. Freire). Quer dizer, que a publicação de seus livros terá que levar em conta o ambiente cultural de um povo e se identificar com seus anseios, seus interesses, suas lutas, seus ritmos, seu nível de compreensão, suas necessidades, habilidades e gostos pessoais… Pois, a compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto (P.Freire). Mas, para lembrar também que, ao satisfazer às diversas dimensões do humano, a partir do campo popular, uma editora entra na disputa dos corações e mentes contra o culto ao último livro e contra a enxurrada de publicações que prometem soluções imediatas, completas e eternas.

Se é verdade que ler é mais importante do que estudar e que um país se faz com homens e livros (M. Lobato), então, é verdade que ensinar às pessoas a gostar de ler, seduzi-las para as emoções e as alegrias da leitura, se torna uma parte importante da tarefa educativa, na escola ou fora dela. Neste dia de festa, quando se celebra o já feito e se projeta o que será, vamos sonhar com o abolicionista: “Oh! Bendito o que semeia livros… livros, às mãos cheias… e manda o povo pensar! O livro caindo n’alma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar” (“O Livro e a América” C. Alves.)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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