D. Demétrio Valentini 17 de novembro de 2009

Neste ano os bispos do Brasil têm um encontro marcado com o Papa, em Roma. Novembro é a vez dos bispos do Estado de São Paulo, que dentro da estrutura da CNBB, forma o “Regional Sul l”. Existem ao todo dezessete “regionais”, agrupando os bispos por proximidade geográfica, de acordo com o mapa do Brasil.

Quando se trata de tradições já sedimentadas, sempre convém buscar a inspiração inicial, que deu forma a determinado costume. Como este, por exemplo, de cada cinco anos, todo bispo, de qualquer parte do mundo, ter oportunidade de um encontro pessoal com o Papa, nem que seja de poucos minutos. Qual a razão que inspira esta tradição?

E´ fácil identificar logo uma porção de motivos. Quem sabe o mais importante de todos foi expresso com muita clareza pelo Concílio Vaticano II, quando identificou a estrutura colegiada do governo da Igreja, lembrando que Cristo a confiou coletivamente ao grupo dos doze apóstolos, que hoje têm sua continuidade nos bispos que são os seus sucessores. De tal modo que a responsabilidade pela Igreja é confiada aos bispos, que nesta missão são presididos pelo Papa, que na verdade é o Bispo de Roma, e como tal, incumbido de presidir a comunhão de todos os bispos e da Igreja toda.

Pois bem, se cada bispo participa da responsabilidade pela Igreja inteira, é mais do que conveniente que periodicamente se encontre com o bispo de Roma, que vive cotidianamente o que São Paulo expressou como “a solicitude por todas as Igrejas”.

Neste sentido, os dias passados em Roma, reunidos nos respectivos “regionais”, se constituem em momentos muito intensos de partilha mútua, primeiro entre si próprios, depois também com o Papa, a respeito da missão cotidiana do pastoreio do rebanho, em tempos de tantas transformações culturais e religiosas que estão atingindo profundamente a Igreja em nosso tempo.

Quando o vento sopra nos galhos das árvores, pode ser que notemos mais claramente o seu balançar, e nos perguntemos pela robustez de cada ramo. Mas na verdade o que está em jogo, em momentos assim, é a solidez do tronco, e a consistência das raízes.

Também na chamada “visita ad limina”, que periodicamente os bispos fazem ao Papa cada cinco anos, pode-se ouvir e comentar bastante o farfalhar do vento mexendo com as folhas e os galhos, e fazendo pressentir alguma tempestade, ou anunciando bonança. Mas o mais importante, para segurança de todos, também de Pedro, o timoneiro da barca da Igreja, é conferir a solidez do fundamento, e ver em que medida estamos construindo sobre ele.

A este respeito, são providenciais as advertências de Paulo aos coríntios, quando lembro que “ninguém pode colocar outro fundamento diferente daquele que já foi colocado: Jesus Cristo” (1 Cor 3, 11). Em seguida ele prossegue recomendando que cada um veja como está construindo sobre este fundamento. Se a construção se assenta sobre o fundamento, o edifício pode tomar fachadas bem diferentes, contanto que todas elas repousem sua solidez no fundamento que serve de base para todo o projeto de Igreja que se possa desenvolver.

Se há uma característica no clima vivido pelos bispos por ocasião da “visita ad limina”, com certeza sobressai a preocupação de conferir a solidez de nossa caminhada eclesial, confrontado-a com Pedro e Paulo, e tantos outros mártires que em Roma deram o testemunho de sua fé em Cristo.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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