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Edson e Maria são dois das centenas de santarenos que sofrem com o descaso agravado pelas fortes chuvas que caem na cidade nessa época do ano.

Maria de Fátima perdeu tudo na enxurrada que atingiu o bairro do Uruará essa semana. Por causa das obras do PAC a lama não chegou ao rio e alagou a casa da senhora que teve que sair as pressas antes que moresse afogada. O drama dela foi contado aqui há alguns meses atrás quando questionava sobre a dignidade de muitos moradores que residem em áreas periféricas.

A história de Maria me chamou atenção quando ela apareceu na edição do Jornal Tapajós mostrando as mãozinhas do neto tomadas pela micose ocasionada pela água contaminada que era distribuída na localidade onde ela mora. Para tentar amenizar o incômodo que a doença causava na criança, ela fazia aviãozinhos de papel para vender na orla da cidade. O dinheiro que antes era destinado a comprar comida, passou a ser utilizado para comprar água mineral.

Maria voltou aos jornais desta vez contando que perdeu tudo.

O segundo personagem é Edson. Ele mora no bairro do Santo André. O lugar não faz fronteira com o Rio Tapajós, mas em compensação têm um fosso que funciona como o lixão. Com as fortes chuvas o lugar encheu e transbordou. A água junto com o lixo invadiu diversas residências e muitas famílias tiveram que abandonar seus lares.

Edson viu na lagoa suja um lugar para brincar. Ele armou uma jangada de paus e pedaços de isopor e passou a ‘navegar’ em meio a lama. Para não ir sozinho ele levou seu cachorrinho.

BRINCANDO COM A REALIDADE

“Eles jogam lixo lá em cima e vêm tudo parar aqui. Eu sei que é perigoso brincar nessa lama, mas é legal. Não tenho medo de cair na água, mas dos jacarés que o pessoal diz que tem aqui.”
Edson da Silva, morador do bairro de Santo André.

A SEGUNDA PARTE DO DRAMA

“Isso é um sofrimento. Eu perdi tudo o que tinha. Me espantei com a água já alagando as redes e com meu neto gritando, dizendo ‘vovó nós estamos indo pro fundo’. Eu tirei eles de dentro de casa e mandei que eles corressem para a casa mais alta que encontrassem e eles correram.”
Maria de Fátima, moradora do bairro do Uruará.

Obs: Imagens enviadas pela autora.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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