Djanira Silva 16 de outubro de 2008

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Abri a janela, vi a estrela, a primeira que conheci, numa brincadeira de esconde-esconde, por detrás da torre da Igreja. Fomos crianças juntas.
Nem precisava anoitecer bastava o dia se esconder atrás da serra e ela aparecia como se tivesse fugido para brincar no firmamento, feito uma criança que escapa dos limites de casa para brincar na rua.
A gente conversava apenas com os olhos, pois é assim que se falam as crianças, num pisca-pisca, num código que somente elas e estrelas sabem. Quando eu estava triste escondia-se nos meus olhos úmidos. Estes dias envelheciam mais cedo e ficávamos à espera até que minha alma se acendesse novamente e ela voltasse a vadiar no céu e eu aqui na terra.
Lembranças assim não se apagam mesmo que o tempo passe, mesmo que a gente passe, mesmo que a vida esmoreça. Estarão sempre na alma, poderão até perder o brilho, não perderão a força porque são saudades.
Eu nada sabia de estrelas nem do prazer de esperar alguém na janela. Uma noite, enquanto minha mãe rezava junto da minha cama, perguntei: mãe, para que servem as estrelas e como é que se seguram lá em cima? Ela não sabia, e, com seu jeito especial de me ensinar o mundo tentou: acho que servem para enfeitar o céu como as flores enfeitam as plantas e os frutos enfeitam as árvores e Deus as segura feito eu seguro na sua mão para você não cair. Elas também amadurecem? Não sei menina, deixa as estrelas em paz.
Então, por minha conta, aprendi a vê-la e ouvi-la feito o outro que ouvia e entendia estrelas.
Um dia, eu quis conhecer os mistérios do mundo e da minha alma que ameaçava crescer. Fechei a janela, abri a porta. Ela sumiu.
Hoje, sinto saudades da menina que era dona de uma estrela.

Obs: Imagem enviada pela autora.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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