Edilberto Sena 5 de abril de 2008

Comentário/ editorial no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM)
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A Bíblia Sagrada tem uma apresentação simbólica interessante e significativa para a relação entre os seres humanos e o meio ambiente. Ela diz que Deus organizou o Paraíso com tudo de bom e do melhor e aí, entregou-o à responsabilidade dos seres humanos. Disse Deus – “está aí, tudo é de vocês, cultivem, usufruam, mas com responsabilidade. Só não comam de uma árvore, caso contrario ela os destruirá”. Não deu outra, os seres humanos mexeram justamente no fruto proibido e perderam a paz no meio ambiente, o Paraíso se foi.

Essa estória se repete hoje aqui. A Amazônia é o paraíso, que até a pouco tinha tudo de bom que os seres humanos precisam para viver. Mas, em vez de cultivarem e usufruírem juntos, decidiram tornar a comer o fruto proibido da comercialização, não só dos frutos da natureza, mas dela própria tirando os minérios, as árvores, derrubando as castanheiras, bacabeiras, andirobeiras, transformando a floresta em pastos e grandes plantios de grãos. Dos rios decidiram acabar com os quelônios, jacarés e peixes para ficarem ricos, destruindo o paraíso.

O capital, como a serpente da parábola bíblica, induz os forasteiros do paraíso a comerem da fruta proibida. Estão certos que serão como deuses, cheios de dinheiro, carros toyota, casas bacanas, e mais riquezas possíveis.

Agora, que a expulsão está acontecendo se tenta salvar o que ainda resta. Aí surgem as conferências municipais, estaduais e nacional do meio ambiente. Uma delas vai acontecer nestes dias em Belém, depois outra, em Brasília. O que esperar delas? Pra falar a verdade, quase nada. Certamente bela decisões serão tomadas, bons propósitos e até outras leis ambientais. Mas o monstro da ambição do capital é mais forte.

Ou será que depois dessas conferências os rios e matas serão salvos? As mineradoras serão retiradas? Vai-se parar de destruir florestas e deixar de plantar soja na Amazônia? Vai-se controlar a exploração ilegal da madeira? O governo federal vai deixar de destruir os rios Xingu, Madeira e Tapajós para construir mega hidroelétricas? Por acaso, as leis ambientais serão respeitadas após essas conferências de meio ambiente? Pessimista? Talvez sim, talvez não.

Mas desde que as portas do paraíso foram fechadas. E desde que o próprio governo federal está obstinado em liberar a destruição dos rios e ecossistemas com tantas nega hidroelétricas e desde que o próprio presidente assina mais uma Medida provisória legalizando a grilagem de terras na Amazônia, que podemos esperar?

Deus disse, agora homem te vira e faz o teu destino, se o clima fica louco, se a floresta virar deserto, não vem para cá fazer procissões e acender velas.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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