A imaginação tem, além das relações do fato objeto-imagem do imaginado propriamente dito, a capacidade de PRESENTIFICAR o ausente. Isso se dá pela relação símbolo e imaginação a partir desta.

Temos muitos exemplos clássicos dessa presentificaçao. O exemplo mais profundo seja talvez toda a filosofia do livro “O pequeno príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry. Há uma passagem relevante.no livro.
Tendo a raposa insistido para que o principezinho a cativasse, disse: “se tu me cativas minha vida será como cheia de sol. (…) olha! Os campos de trigo? O trigo para mim é inútil. (…) mas tu tens cabelos da cor de ouro. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo.”

Isso acontece no nosso dia a dia. Ao vermos uma fotografia tornamos presente a imagem do fotografado pela foto. Não observamos somente a estrutura dos traços, mas ao olharmos os lábios nos lembramos dos beijos saborosos ou do sorriso encantador.

Quando crianças essa idéia é mais forte. Brincamos, nos divertimos. Inconscientemente usamos nossa imaginação no seu todo. Voltemos às brincadeiras de crianças…
Um armário, simples e inofensivo, nas mãos de uma criança pode se transformar em um navio mil vezes mais veloz e imponente que o famigerado Titanic. A imaginação é assim uma capacidade irrealizadora.
Outro exemplo clássico da criação do inexistente e o modo de vivê-lo antecedendo o futuro, é o poema de Manuel Bandeira: “Parsagada”.
“Vou-me embora para parsagada/ aqui eu não sou feliz/ lá a existência é uma aventura/ de tal modo inconsciente/ (…) tomarei banhos de mar/ e quando estiver cansado deito na beira do rio/ tem prostitutas bonitas/ para a gente namorar.”
Manuel Bandeira age de forma prospectiva quando da criação mental de uma cidade irreal, utópica. Concreta só na imaginação.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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