A pergunta provém da proposta de uma Academia de Roma assistida por numerosos cardeais que há quase três séculos, envolvida com os destinos da humanidade, abraçou um problema interrogando: O MUNDO É MAIS DIGNO DE RISO OU DE LÁGRIMAS?

E evocando os grandes filósofos gregos de AC, Demócrito, que ria sempre, e Heráclito, que sempre chorava, dois grandes jesuítas, inclusive Pe. Antônio Vieira, aceitaram responder a tão conflitante alternativa.

Este optou pelo pranto e escreveu magistralmente em italiano o livro “As lágrimas de Heráclito”, traduzido depois para o espanhol e ultimamente para o português, cujo lançamento aconteceu há poucos dias no Rio de Janeiro, na Casa de Rui Barbosa. A filóloga Sônia Neto Salomão muito se empenhou para que a importante obra chegasse até nós, em nossa língua.

Vieira discorreu amplamente sobre o tema no seu livro e acreditamos que a sua conclusão final foi que as duas básicas manifestações humanas – RISO E LÁGRIMA, intérprete dos dois fundamentais sentimentos do homem – alegria e dor se fundem e confundem, misturam-se, unem-se numa só realidade – o sofrimento.

Adiantou ainda que a mesma causa moderna e excessiva produz efeitos contrários. Assim, a luz moderada faz ver; a excessiva, cega. A tristeza moderada faz chorar, a excessiva pode fazer rir. A alegria moderada faz rir e a excessiva poderá fazer chorar.

O sofrimento existe sob inúmeras modalidades e nestes momentos atuais de incertezas e temores, a humanidade inteira, contemplando-se a si mesma, pensa talvez agnosticamente que o nosso planeta se encontra desgovernado na imensidão indiferente, restando-nos apenas, lamentavelmente, as LÁGRIMAS.

Sofre-se a fome, a exemplo dos nossos irmãos afegãos que chegaram a passar vários dias alimentando-se de capim, gafanhotos, ervas e até terra. Sofre-se a sede, o frio, as doenças, a tristeza, a separação da família e até a ganância pelo poder, como várias nações. Sofre-se, sobretudo, a expectativa de uma guerra total, mas que o PODER DE DEUS, ainda insuficiente sem a sua MISERICÓRDIA, não permitirá acontecer.

Apesar das conclusões do autor de “As lágrimas de Heráclito” afirmando: “Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há de chorar, e quem ri ou não chora não o conhece.”
E ainda afirmações de poetas e escritores como: “A vida é um sorriso entre duas lágrimas”, portanto, choramos mais do que sorrimos.
“Quem passou pela vida e não sofreu foi espectro de homem e não foi homem: só passou pela vida, não viveu”.

É uma grande incidência de opção pela segunda alternativa em pessoas por nós consultadas e também ignorando o pensamento dos que nos lêem concluímos decididamente o seguinte: a dor humana na sua totalidade global supera o prazer. Considerando-se, porém, a pessoa individualmente, pode acontecer o inverso, o prazer sobrepujar a dor.

O sofrimento existe no mundo por culpa, muitas vezes, do próprio homem. Isto não significa que o “MUNDO É MAIS DIGNO DE LÀGRIMAS”.
Portanto, o mundo é digno de felicidade e este foi o objetivo divino da CRIAÇÃO.
Procuremos, enfim, enfrentar heroicamente o RISO E AS LÀGRIMAS, ambos em suas oportunidades e VIVAMOS FELIZES!…
A FELICIDADE EXISTE!…

(autora de Retalhos do Cotidiano)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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