Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM)

Essa situação crítica de um surto de febre amarela no Brasil tem vários aspectos a serem considerados. Um deles é o político-internacional. Como é que um país tão rico, com economia e medicina tão avançadas, permite um atraso desses de uma doença que já não existia há muito tempo volte a ameaçar sua população, assim como a dengue?

É sinal que a saúde pública ainda não é prioridade no país. Novamente o Brasil entra na lista de países de risco para visitas de estrangeiros, como são os países africanos, ou o Peru e Equador, vizinhos pobres aqui da América do Sul.

Imagine a repercussão negativa para o turismo brasileiro. Quando um país entra na linha de risco por doenças tropicais propagáveis, como a dengue, a malária ou a febre amarela o visitante tem que ter comprovante de vacina. No caso da febre amarela, um comprovante internacional de vacinação, caso contrário a pessoa retorna no mesmo dia de volta e a companhia aérea ainda paga uma multa grande.

Outro aspecto , este já nacional, é o risco de a doença se alastrar pelo país a fora e se tornar uma epidemia, o que será um desastre para a vida humana, a economia nacional e para a política do governo.

De repente, todos os estados procuram se prevenir, mas nem todos os municípios estão equipados com vacinas. No Pará, ainda sem casos comprovados de febre amarela, Alenquer está dando sinal de que não tem vacina suficiente. Em Santarém, começam a formar filas grandes em postos de saúde. Isso pode gerar certo pânico populacional, tanto que já aconteceu de pessoas tomarem a vacina duas vezes por medo de pegar a doença e se deram mal, já que a vacina só pode ser tomada 1 vez, de dez em dez anos.

Mas há outro aspecto também nacional, que foi manifesto pelo surto da doença, o preconceito do Sul contra a Amazônia. Calhou que a febre amarela atacou pessoas em Goiânia, Belo Horizonte e na capital federal. Justamente lá, em Brasília, nas barbas do rei. Quando a notícia se espalhou, autoridades nacionais e alguns meios de comunicação de lá anunciaram que as áreas de alto risco da doença eram o Norte e o Centro Oeste.

Isto é, a Amazônia era área de alto risco porque tem floresta e tem macacos. Como desde sempre, a Amazônia é ignorada e considerada Inferno Verde ainda. A fantasia do Sul ainda acredita que aqui nas ruas transitam jacarés, surucucus, pernilongos carregados de malária e febre amarela.

Acontece que até agora nenhum caso da febre amarela foi constatado em nenhum município do Norte. Em Santarém, não há registros da maldita doença desde 2003, por que então a notícia não diz que Brasília, Goiânia e Belo Horizonte são as áreas de alto risco?

Até nas evidências do atraso do país em matéria de saúde pública o preconceito contra a Amazônia recai mais. Esta região, para o Sul, é o Inferno Verde de onde só interessam as riquezas, os minérios, as madeiras, as hidrelétricas a serem tiradas para delícia do Sul e das multinacionais.

É preciso que os e as amazônidas se encham de mais cidadania, autoestima e reajam a tais preconceitos mostrando que a Amazônia é terra de milhões de seres humanos que aqui vivem e têm dignidade.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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