Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM).

-De repente, uma notícia pra causar grande surpresa e interrogação:
uma grande comitiva de ministros (as) governadores e assessores aterrizam em Santarém, amanhã. Nada mais, nada menos que capitaneados pelo controvertido ministro do planejamento futuro do governo do governo federal. Isto mesmo, uma comitiva com 33 figurões, figuras e figurinhas de Brasília e de Belém. Dizem eles que vêm à Santarém com o objetivo de “fortalecer o processo de discussão e elaboração de uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável para a região amazônica”. Veja só, um objetivo audacioso e impressionante.

Quase dá para se ficar esperançoso. O pessoal sai lá dos gabinetes das capitais, vem discutir com a população na base como melhorar a vida na Amazônia.

Porém, quando se conhece o roteiro e o naipe dos convidados (as) para o pomposo evento cai por terra a esperança.

Primeiro, o tempo que a grande comitiva vai dispor no Pará – um dia em Belém e um dia em Santarém. No caso de Santarém, o dia começará às 09:00hs, com a chegada no aeroporto, se chegar a tempo e conclusão às 16h00, levantando vôo às 17:00hs para Manaus.

Outra situação que desmantela qualquer esperança para a população amazônida. Tanto em Belém, quanto em Santarém são convidados ao diálogo relâmpago em busca de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, apenas políticos, dirigentes de universidades, organizações patronais e empresas madeireiras e multinacionais.

Por que os prefeitos da região não foram convidados? Por que os sindicatos de trabalhadores das várias categorias não foram convidados? Por que vários movimentos sociais não foram convidados?
Quem disse que os patrões de madeireiras conhecem as reivindicações dos trabalhadores das madeireiras? Quem disse que a Unecos, Fancos, STTRs, Frente de Defesa da Amazônia e outros grupos da sociedade civil não têm algo a contribuir com a estratégia de desenvolvimento da região? E os estudantes universitários por que ficam de fora de tal grandioso evento?

Será que esse encontro pode ser algo sério, sem a presença de outra parte da sociedade civil? Ou será apenas um passeio do Sr. Mangabeira Unger e sua corte, para ver a floresta ainda de pé e os majestosos rios correndo para o mar? Dá pra se esperar algo sustentável dessa visita? Só aguardando um pouco e conferir depois.

E agora vamos ao seguimento do 2º capítulo da novela Visita de um ministro à colônia Amazônia. Isto mesmo, hoje pousa no aeroporto de Santarém, com uma comitiva de mais de 30 pessoas, o ministro extraordinário de Planejamento Futuro, Mangabeira Unger.

Chega ao aeroporto, segue numa viagem de 45 minutos até Alter do Chão, porque, dizem autoridades santarenas, não há lugar adequado na cidade e vai embora às 16h30 para Manaus, se o avião não atrasar.

O que pretende fazer o controvertido ministro e sua comitiva? “Buscar idéias para viabilizar o projeto de desenvolvimento para a região Amazônica”, diz a informação. O ministro diz que vem promover debates com líderes e representantes da região para montar uma estratégia global para a Amazônia.

Ele chega afirmando que “a Amazônia é o grande laboratório nacional para a criação de um projeto de reconstrução econômica do país”. Portanto, o ministro já chega com algumas informações sobre a região e vem buscar mais idéias. Mas, pelo naipe de convidados para o diálogo de algumas horas, pode-se bem perceber qual o desenvolvimento que ele busca.

Os chamados representantes da região são políticos, acadêmicos, empresários de várias categorias e mais alguns representantes de instituições. Se o ministro tem alguma boa intenção de conhecer a Amazônia, além daquilo que os meios de comunicação do sul transmitem e além do que os órgãos do governo federal apresentam em relatórios oficiais, como pode ele ignorar no diálogo representantes dos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, organizações de moradores urbanos e rurais, sindicatos de trabalhadores?

Como convidar representantes dos empresários e ignorar os trabalhadores? Daí a pergunta que fica no ar: o que mesmo vem fazer um ministro federal, com grande comitiva na Amazônia em 5 horas de trabalho em Belém, 5 horas em Santarém e 5 em Manaus?

Será que ele sabe que na Amazônia, além de minérios, madeiras, águas e agronegócio, existem 23 milhões de seres humanos que carecem de vida digna? É nessas ocasiões que se lembra o ditado: “Me dizes com quem tu andas e te direi quem tu és…”.

Obs: O texto acima foi enviado pelo autor no dia 16.01.08.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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