Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM)

Quando aconteceu o assassinato da Irmã Dorothy, como ela era uma freira norte-americana e houve muita pressão social, a justiça conseguiu identificar os que a mataram, os que negociaram a morte daquela idosa senhora indefesa e chegou até aos mandantes do crime.

Um procurador da República, que acompanha o caso até hoje, chegou a afirmar que o crime contra a Irmã Dorothy era fruto de um consórcio do crime organizado, formado por grileiros e fazendeiros inescrupulosos.

Dorothy, que norteava sua vida pela mística das bem-aventuranças evangélicas, não imaginava que o consórcio do crime poderia violentar a vida de uma mulher de 74 anos que só queria apoiar as vidas dos posseiros de Anapu. Ela esqueceu de perceber que há pessoas no mundo que só pensam em si, em seus bens e seus lucros. Tais pessoas não têm mais respeito pelas vidas dos outros e atropelam a quem perturba suas ambições de enriquecimento.

Irmã Dorothy tornou-se mártir da reforma agrária no Pará. Seu corpo se torna pó da mãe-terra, seu espírito deve estar pressionando Deus lá no céu (persistente como ela sempre foi) para que ele pressione as consciências dos juízes, dos responsáveis para realizar a reforma agrária de verdade.

Infelizmente, Deus não é ouvido, tanto é que a reforma agrária de faz de conta hoje executada pelo Incra aqui na região está denunciada pela Justiça Federal. Ou será que os apelos da Dorothy ao Pai Eterno é que está dando resultado e o juiz federal e o MPF estão agindo na força da justiça de Deus?

O certo é que a memória da frágil anciã corajosa hoje guia consciências de tantos outros lutadores pela justiça social, mesmo quando pressionados e ameaçados pelos que só querem sua riqueza a qualquer custo. Estes não temem a Deus, nem justiça da terra, mas o sangue da irmã Dorothy os condena à falta de paz. Mesmo arrogantes e covardes suas consciências não podem ter sossego.

Mais recentemente, após a Justiça Federal implodir os descaminhos do Incra e seus fantasiosos assentamentos, o interino superintendente afirma que a partir de agora os erros serão corrigidos, os PDSs (sonho de Dorothy) agora serão geridos pelos assentados e não pelas madeireiras.

Assim, pouco a pouco o sangue da audaciosa freira começa a germinar bons sinais. Espera-se que tudo o que dizem agora não seja apenas para MPF se impressionar.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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