Se há uma postura que as pessoas não perdoam é a arrogância. Perdoam traições, compreendem as fraquezas e, até assimilam comportamentos condenados pela moral dominante tradicional… desde que percebam nas pessoas, uma atitude de humildade. Nas fábricas os operários, nem sempre reagem contra a exploração de sua força de trabalho. Mas, são implacáveis contra a esnobação, o “salto alto”, a soberba, o desprezo e o autoritarismo de colegas ou chefias.
Nós todos temos admiração por quem tem autoridade conquistada pela competência, pela dedicação e pela confiança. Porém, existem pessoas, na sociedade, no trabalho, nas igrejas, nas famílias que pretendem ser superiores por sua posição hierárquica. Usam o cargo, o talento e o físico para humilhar “os de baixo”. Sentem-se felizes com as reverências, a obediência a seus caprichos e para tanto vigiam, reprimem e “compram”. Como nem sempre é possível livrar-se imediatamente dessas “otoridades”, as pessoas vão construindo formas para conviver e solapar essas deformações no exercício do poder.

Sem rigor de pesquisa e colhidas em conversas cheias de humor, organizamos descrições de comportamentos de resistência que a pessoas usam no seu cotidiano. Elas juram que essas sete regrinhas básicas funcionam. Mas, com medo de serem tachadas de maquiavélicas, advertem que só é justo usá-las quando se esgota as diferentes formas de diálogo e se está empenhado na construção de uma nova convivência entre as pessoas.

Essas “otoridades”, preocupadas em mandar e ser obedecidas, se comprazem com os privilégios do poder e perdem a dimensão do serviço. Por isso, seus “súditos” aprenderam a aplicar o seguinte roteiro:

1. Nunca diga não a “otoridade”; isso não significa que tem que dizer sim. Ela se satisfaz em achar que continua mandando;
2. Faça de conta que está obedecendo a “otoridade”. Ela fica edificada com a “fidelidade” ainda que a prática seja outra;
3. Preste contas a “otoridade” – mesmo que outros tentem desgastá-lo, ela vai confiar na sua versão que veio de viva voz;
4. Elogie a “otoridade” – como sua insegurança alimenta-se da vaidade, ela fica feliz com migalhas de pequenas menções;
5. Cite a “otoridade” dizendo dela frases avançadas ainda que nunca ela tenha dito e nem seria capaz de dizê-las;
6. Se as coisas começam a ameaçar você, peça à “otoridade” tempo para pensar. Emociona-se diante da fraqueza.
7. Quando não há mais jeito, se faça de vitima. A confissão de um humilde pecador releva todo grau de sua maldade.

outubro de 2006.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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