Narram os Fioretti di Chiara e dei Focolari (não sei se já chegaram por aí, ao Brasil, em português) interessante história, que desejo reproduzir aqui para meus vinte e cinco leitores. A narrativa vem assinada anonimamente por D.Z.(Roma) e é a seguinte:

Nos primeiros tempos do Focolare, Chiara Lubich estava em casa preparando o almoço, quando alguém bateu à porta. Ela interrompeu o serviço e foi atender quem era. Uma pobre mulher pedia uma esmola – naqueles tempos de miséria do após-guerra na Itália porque sua família estava passando muita fome. Chiara não sabia o que fazer. Não tinha nada em casa, com que pudesse socorrer aquela pobre mãe de muitos filhos. Lembrou-se depois que, num envelope, estava reservado o dinheiro exato para pagar o aluguel do mês do pequeno apartamento, em que as focolarinas moravam, o gás e a eletricidade. Abriu a gaveta, tirou o envelope e entregou tudo àquela pobre dona-de-casa. Deixou aberto o envelope e assim falou a Jesus: “Olha, Senhor, eu te deixo o envelope aberto, para que tu providencies enchê-lo de novo, a fim de que possamos saldar as obrigações deste mês.” E logo voltou à cozinha para o trabalho do almoço.
Eis que poucos minutos depois, entra correndo em casa Natália, uma das primeiras companheiras de Chiara, que viera de bicicleta do emprego. Deixara a fábrica num momento de pausa, e quase sem poder respirar, pelo muito que havia pedalado, tentava explicar a Chiara: “Olha, hoje pela manhã recebi um aumento em meu salário, e pensei em te trazer logo, porque pode ser que tenhas necessidade deste dinheiro”.
Acontece que Jesus mandara o dobro do que Chiara havia dado à pobre mulher…

Essa história, tão simples, mas verídica e até comovente, nos recorda a antiga verdade de que Deus não se deixa vencer em generosidade. E é uma confirmação da palavra de Cristo: “O que fizeste ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes. Eu tive fome e me destes de comer. Eu tive sede e me destes de beber” (Mat, cap.25).

Os países ricos – e eu estou num deles, o Japão, aliás a 3ª potência econômica do mundo, como apregoam por aqui – vivem a contradição da ambição e do desperdício. No Japão, grande número de fábricas trabalham doze horas por dia e sete dias da semana. Para os dekasseguis, não há férias, nem repouso semanal remunerado. O pagamento é feito por hora, mais do que o pagamento mensal dos filhos da terra. As companhias estimulam as horas extras e não simpatizam funcionários que de modo algum quer fazê-las. Está arriscado a perder o emprego, logo que aparecer outro, disposto a assumir as horas fora do horário diário. Por outro lado, contraditoriamente, o desperdício é grande. Qualquer máquina, qualquer objeto com um pequeno defeito, é jogado fora. A grande preocupação na economia japonesa agora é a deflação. Com uma produção exagerada, os preços tendem a cair sempre mais, o que ocasiona a diminuição do valor dos impostos sobre consumo e menor lucro nas exportações, cada vez mais baratas. Há um super-mercado perto de nossa casa, que anuncia “every day, low price” cada dia, preço mais baixo. É claro que é publicidade, mas é uma realidade que os preços estão caindo sempre mais, unidos ao grande consumo e a um imenso desperdício, porque há muito dinheiro e se pode gastar sem preocupação. Tóquio foi considerada recentemente a cidade de vida mais cada do planeta.

Se o mundo aprendesse a lição tão simples do Focolare, haveria menos fome no mundo, e certamente mais amor, paz e felicidade.
Yokohama (Japão), 10/09/2003.

(Arcebispo Emérito de Maceió)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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