D. Edvaldo G. Amaral 7 de setembro de 2006

No opúsculo anual de verão “Sentieri e strade, parlatemi di Dio” da revista “Sacro Cuore”, de Bolonha, encontrei graciosa versão – e parece-me mais completa – da conhecida lenda de São Cristóvão. Pensei em reproduzi-la aqui para meus 25 leitores da GAZETA para seu saboreio e até, possível edificação.
Intitula-se “O bom gigante” e vou reproduzi-la com liberdade de redação. Na Europa medieval, certa vez havia um bom gigante, chamado Adócino, de extraordinária força física. Seu maior desejo era colocar essa força prodigiosa a serviço do “homem mais poderoso do mundo”. Para concretizar seu sonho, foi colocar-se a serviço de um nobre poderoso da vizinhança. No castelo desse nobre, viu que ele temia um famoso guerreiro. Sem mais, passou a ir servir o valente guerreiro. Mas, quando soube que ele obedecia ao Rei, Adócino procurou o palácio real e aí, foi aceito na guarda do Rei, pela sua estatura e por sua força incrível, de que deu provas suficientes. Um belo dia, porém, notou que o Rei temia muito o demônio e assim, Adócino foi procurar o diabo e colocou-se a seu serviço. Mas, enquanto servia Satanás, o bom gigante notou que ele fugia da Cruz e veio a saber que fora vencido por Cristo. Então, decidiu procurar esse misterioso patrão para poder servi-lo. De um santo eremita, aprendeu que Jesus se escondia sob os farrapos dos pobres, dos miseráveis, dos que nada possuíam. Instruído pelo eremita, o gigante Adócino foi servir aos necessitados, por amor de Cristo, conforme seu sonho de servir o mais poderoso deste mundo. Ele se punha na margem de um rio e amparado com o tronco de uma árvore que lhe servia de bastão, ajudava na travessia todos os pobres que precisavam atravessar o rio, carregando-os em seus poderosos ombros. Não aceitava dinheiro por recompensa, mas apenas um “Jesus te pague!”

Certa manhã, o bom gigante ouviu dentro do matagal, às bordas do rio, uma vozinha de criança que lhe pedia para ajudá-lo a passar o rio. Adócino coloca o menino em seus ombros vigorosos e começa a travessia, enfiando o tronco n¿água. Mas, depois de alguns passos, começa a sentir um peso imenso ao pescoço e vê que não pode ir mais adiante no rio. Sem saber o que fazer, exclama com força: “Jesus, ajuda-me!” E como resposta, uma doce voz infantil lhe diz ao ouvido: “Não temas, Adócino, tu levas ao ombro aquele Jesus que serves no próximo necessitado!”
Foi assim que o bom gigante realizou seu sonho de servir ao mais poderoso na pessoa dos pobres e passou a chamar-se Cristóvão, a forma portuguesa do nome latino “Christophorus”, que quer dizer “portador de Cristo”. Com esse nome, ele morreu mártir da fé e é padroeiro dos motoristas, com festa litúrgica em 25 de julho.

(*) É arcebispo emérito de Maceió.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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