Lila Costa 21 de junho de 2006

AS CENTELHAS DO ACASO E A VIDA

No geral tudo o que a ciência explica é tido como verdade absoluta.

Aquilo que não tiver uma base científica, os céticos acham que não vale à pena discutir, principalmente quando se tratar de religião. Adágio popular: “Política, Religião e Futebol não se discutem”.

Temos que levar em consideração a reflexão, nada pode ser aceito como verdade absoluta. Estamos acostumados a ver verdades científicas serem derrubadas. Anos de pesquisas, determinando que tal medicamento, alimento, bebida, são bons para queimar as placas de gordura no sangue. Em seguida surge outra pesquisa condenando, cai por terra toda aquela verdade anterior e surge uma nova. É necessário que estejamos sempre exercitando a reflexão, a intercrítica.

Talmude, a Cabala são textos sagrados. Têm o seu valor, a sua significação, a sua crença e a sua importância.

O sagrado e o científico não se misturam. Todavia cada um encerra a sua verdade. Um não invalida o outro. No intercâmbio de saberes, cada um se fortalece e todos se enriquecem.

Em pleno século XXI, continuamos nos preocupando com os problemas que dizem respeito a nossa origem. As ciências e as técnicas estão sempre nos remetendo a problemas inerentes a nossa condição humana: conhecimento, sexualidade, procriação, conceitos e concepções, nascimentos, abortos, envelhecimento, doença e morte, anjos e demônios.

Essa mistura, lenda, metáforas, mito, religião e ciência, ajudam e muitas vezes complicam o nosso entender, o nosso viver, que já não é dos mais fáceis. O homem que há milênios vem carregando o seu pesado fardo: o pecado original, se tornou devedor eterno. É o preço pago pelo conhecimento, comeu o fruto proibido da árvore conhecimento. Ousou, foi curioso, quis saber mais. Tudo tem o seu preço. O conhecimento da mesma forma que liberta, escraviza.

Os recursos da ciência na atualidade tem tentado aliviar este fardo, criando condições para que o homem sue menos , para ganhar o pão de cada dia. Se for para suar que seja no lazer ou de prazer. Para as mulheres grandes inovações, também surgiram para minorar a sua dor, (parto sem dor). Dando-lhe chance de viver a sua sexualidade e não apenas usá-la para a procriação. A ciência veio também contribuir para que sua vida seja mais prazerosa. Os recursos tecnológicos trouxeram facilidades para a execução das tarefas domésticas. Dessa forma lhe sobrou mais tempo para o lazer e o prazer, no seu sentido mais amplo, realização pessoal, profissional e principalmente sexual.

Quando mencionamos as escolhas não podemos deixar de ressaltar a importância do livre arbítrio, responsabilidade, tão propalada por Espinoza. Em nome do livre arbítrio, quanta coisa acontece sem responsabilidade e as conseqüências ficam por conta e risco do acaso.

Fazendo um paralelo com a metáfora de Henri Atlan: “As centelhas de acaso são gotas de esperma que Adão, segundo a lenda, espalhou durante cento e trinta anos, depois que se separou de Eva”. O homem de hoje, o Adão da atualidade, não repete o mesmo feito, quando guarda o seu sêmen em laboratório, o famoso banco de sêmen, para se eternizar, ou ajudar os outros, com problema de fertilidade, a se eternizarem? Será que as lendas também ficam no inconsciente coletivo?

No texto de Henri Atlan, ele procura responder a esta questão de uma forma bonita e até poética: “À luz da mitologia bíblica e talmúdica, as transformações da condição humana que este século e o próximo parece deverem produzir talvez não sejam tão inauditas como parecem. Mais exactamente, é antes a perspectiva de sua passagem do imaginário do mito à realidade concreta da existência que surge como inaudita e radicalmente nova. Com efeito, no modo narrativo da ficção, elas parecem terem estado sempre presentes, pelo menos como eventualidades ligadas a uma natureza humana imaginada”.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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